O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 29/09/2020
Durante uma palestra, o escritor e dramaturgo, Ariano Suassuna diz a seguinte frase: “Graças à Deus, nasci no Brasil”, demonstrando valor a sua nacionalidade, uma característica patriótica. Contrário à isso, há no Brasil uma confusão quanto a definição de patriotismo, sendo, constantemente, confundido com o nacionalismo, que em excesso é um grande perigo aos direitos democráticos. Porém, ações em defesa da pátria são de suma importância para a manutenção de aspectos culturais e históricos do país.
A priori, deve-se debater acerca da relevância do patriotismo para a conservação das raízes históricas do Brasil. Segundo o escritor norte-americano Edward Abbey “um patriota deve sempre estar pronto para defender seu país contra o seu governo”. Assim, aquele que intitula-se patriota, necessita de lutar em favor da pluralidade formadora da cultura brasileira, quando está se vê ameaçada. Logo, o patriotismo torna-se ferramenta fundamental na adesão da população na luta contra governos autoritários e ditatoriais, buscando manter intacta a diversidade cultural que forma o país.
A posteriori, é imprescindível salientar acerca dos perigos do nacionalismo em demasia. Em sua vivência no julgamento de um funcionário nazista, a filósofa Hannah Arendt fundamentou a " banalidade do mal", que em essência é a busca incessante, pelo homem, de alcançar o sucesso, chegando ao ponto de banalizar o mal. Nesse sentido, o nacionalismo torna-se uma ameaça no momento em que deseja o avanço da nação à qualquer preço, a banalização proposta por Arendt, evidenciado na história pela ascensão rápida e devastadora do nazismo na Europa do século XX, que custou a vida de milhões de pessoas durante o período de domínio alemão. Desse modo, o ufanismo pode trazer sérios riscos à sociedades democráticas que privilegiam e cultuam a democracia.
Fica evidente, portanto, que o patriotismo tem seus benefícios, mas em excesso traz danos irreparáveis à uma nação. Por isso, o Ministério da Educação deve contratar professores e historiadores especialistas na história do Brasil para as escolas, que por meio de palestras e aulas aprofundadas visem ensinar alunos do ensino básico e médio a valorizar e respeitar símbolos e culturas nacionais. Além disso, a sociedade carece de uma autorreflexão sobre os governos em vigência no país a fim de identificar nos representantes do Estado traços ufanistas. Quem sabe assim, cria-se uma patriotismo consciente, evitando extremismos no Brasil.