O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 07/12/2020
O escritor pré-modernista Lima Barreto representou de forma crítica a realidade tupiniquim em sua obra ‘‘O triste fim de Policarpo Quaresma’’. Com o patriotismo ingênuo e idealizado, Policarpo busca melhorar o país. Ao decorrer da jornada, contudo, o protagonista começa a compreender o real Brasil: elitista, excludente e preconceituoso. Na comtemporâneidade, a manutenção do cenário de exclusão impede a formação de um verdadeiro patriotismo.
Primeiramente, precisa-se entender como a nação de pátria é artificial no Brasil. As tranformações no país são fundamentadas em interesses pessoais e não contam com a participação popular. A proclamação da Independência e da República, nesse sentido, marcam vontades particulares e o povo não percebeu grandes mudanças. Eventos grandiosos como esses, quandoo feitos pela população, evidenciam o sentimento de identidade e pertencimento. Como consequência dessa exclusão, a formação do Brasil como país não foi acompanhada de um sentimento identitário, nem de uma consciência política. O patriotismo, assim, não pode existir.
Além disso, o cenário de desigualdade endêmico corrobora para que o patriostimo seja falso. As raízes da pátria são a escravidão e o patriarcado. Assim como mantém-se o povo distante das transformções, há a perpetuação da discriminação racial - a falta de acesso à boa eduação, oportunidade de emprego desiguais e violência policial- e da discriminação de gênero - estereótipos, salários desiguais e violência doméstica. Dessa maneira, nega-se a cidadania a grande parte da população e, a partir disso, impede-se a noção de pertencimento. O patriotismo, então, continua a ser uma impossibilidade.
Fica evidente, portanto, que, para o patriotismo verdadeiro, é necessário combater a exclusão histórica. Nesse sentido, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Municipais, deve garantir que o currículo escolar aborde de maneira crítica a história tupiniquim por meio da representação dos diferentes gruposque formam o país com o objetivo de formar indivíduos que compreendem a construção do Brasil. Ademais, o poder Executivo, em conjunto com o Judiciário, precisa garantir que a Constituição seja cumprida para combater injustiças e discriminações a fim de garantir a cidadania da população.