O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 25/09/2020

No livro “Triste fim de Policarpo Quaresma” Lima Barreto aborda a saga de um homem, que de tanto amar seu país, chega ao ponto de ser considerado louco ao sugerir que se mude o idioma para o tupi-guarani. Diferentemente de Policarpo, no Brasil atual, atitudes que pregam a superioridade brasileira são incentivadas, ações nitidamente nacionalistas que têm sido defendida como se fossem um simples gesto patriota. Dessa forma, o histórico conflito de identidade da nação impede que os efeitos positivos do patriotismo seja assimilados.

Em primeiro plano, é valido analisar que com o processo de colonização e a influência europeia, a construção da identidade nacional foi prejudicada. Com isso, o sentimento de inferioridade diante das outras nações, explicado por Nelson Rodrigues como “Complexo de vira-lata”, faz com que muitos brasileiros busquem em discursos nacionalistas a exaltação de seu país. Contudo, tais discursos estão ligados ao amor pelo Estado, fato que possibilita a assimilação de ideais que pregam ações de aversão ao povo e à cultura original.

Deste modo, quando o governo é  mais amado que a nação, só os símbolos resistem. Assim, o falso patriota é negligente quanto às riquezas culturais de seu país, o que justifica a passividade com que a maioria dos brasileiros assistem à destruição de biomas- como os incêndios criminosos no Pantanal no meio no ano de 2020- e à manutenção de injustiças sociais. Nesse sentido, o sentido de ser patriota por amar seu povo e as suas pluralidades é substituída por uma adoração fria à bandeira.

Dado o exposto, é mister reverter a errônea associação ente nacionalismo e patriotismo. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, por meio de vídeos, documentários e materiais sobre o Brasil, seu povo e sua cultura, incluir à semana da pátria um estudo mais aprofundado sobre valores realmente patriotas, a fim de instruir os alunos a protegerem e a amarem seu povo e sua cultura. A partir disso, poder-se-á construir um futuro com adultos responsáveis com o próprio país e livres do complexo suposto por Nelson Rodrigues.