O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 30/09/2020

pátria com “p” minúsculo.

A Nação é o conjunto das culturas e tradições de um determinado território. O território, por sua vez, é apenas uma demarcação político geográfica do espaço. No entanto, a pátria, desprendida de conceitos exatos, é um sentimento abstrato por uma idealização inexistente que, no Brasil, atropela os próprios indivíduos.

Assim, a dialética marxista contrapõe uma noção estática de mundo e relaciona a estrutura social com a econômica. Ou seja, os pensamentos coletivos ou individuais só são o que são devido ao modo de produção de cada época: enquanto que, na Idade Média, os valores vassálicos  de submissão à nobreza e à igreja, ambas ligadas a terra, eram socialmente normais. Na Idade Contemporânea, a adoração foi realocada para o símbolo da pátria, em um contexto de dominação imperialista. Isto é, se o sustento provém da terra, as pessoas criam laços de admiração aos senhores agrários. Mas, quando o sustento provém de um país sobre o outro, a admiração abstrata passa a ser pela pátria potencialmente dominadora.

Outrossim, no Brasil, diversas opressões e massacres são praticados em nome de um “bem maior”, a pátria brasileira. Canudos, por exemplo, foi destruído por, supostamente, ameaçar a recém República. Há também, o Estado Novo e o golpe militar de 1964 que tiveram como justificativa garantir a ordem nacional contra o comunismo. Portanto, no Brasil, o símbolo da pátria é apenas um método de persuasão para justificar a supressão dos direitos individuais.

Evidencia-se, então, um forte apelo ao sentimento patriótico, o qual atropela diversos direitos individuais. Por conseguinte, é necessário que a família, desde cedo, contribua fortemente para a educação política dos seus filhos. Por meio da leitura e do diálogo em casa, os núcleos familiares devem buscar a maior autonomia possível da própria educação . Assim, aliado à educação escolar, tanto os jovens, como os adultos, possuirão maiores facilidades para intervir e distinguir as ideologias externas passivas. Não deixando, desse modo, noções como pátria intervir nos próprios direitos individuais.