O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 25/09/2020
2016: o ano em que Portugal e Brasil disputaram o que se chamou de “Guerra de Meme”, uma disputa para ver qual país tinha mais talento para criar esse tipo de linguagem da internet. O que chama a atenção o episódio foi a intensidade do nacionalismo dos brasileiros, tão inflamado que os olhos de fora podem crê-lo verdadeiro. Infelizmente, não é. O patriotismo brasileiro, salvo cenários de ofensa aos conterrâneos ou disputas com portugueses, é altamente escasso. Mas por quê? E quais problemas isso tende a causar?
A tendência do brasileiro em sempre se achar pior é o que impede o amor á pátria. Esse é o “complexo de vira-lata”, um conceito criado por Nelson Rodrigues quando assistiu a seleção brasileira perder para a uruguaia na copa de 1950, em pleno Maracanã. De fato, em tudo se acham inferior: desde o discurso “no Brasil não tem mais música boa” até o “todo brasileiro é corrupto”. Essa identidade que criam e guardam de si impede qualquer concretização de um sentimento nacionalista, resultando em pessoas sem identificação ou pertencimento.
Aí nasce o problema: uma pessoa sem identificação e pertencimento é descomprometida. Alguém que não se sente pertencente de um país, de algo grande e glorioso tende a não cuidar dele, não zelar por ele. O brasileiro, geralmente, não se importa com mudanças do país: sabem e reclamam de todos os problemas sociais, mas não vão a frente para muda-los. Não é a toa que o deputado Federal foi eleito e reeleito com o discurso de “pior que est, não vai ficar”: as pessoas sabem que o cenário é ruim e estão conformadas com isso, pois sem amor ao país, não há desejo (não um verdadeiro e prático) para melhorá-lo.
A questão do patriotismo brasileiro é problemática. Resultante de um ciclo de auto desmerecimento e difamação, é causadora de conformismo, de omissão da vida pública e da manutenção de problemas sociais. A fim de melhorar essa imagem que os brasileiros têm de si mesmos, o Estado deve investir em marketing, criando projetos modernos e abrangentes que conversem com a modernização da sociedade: entrando na linguagem pitoresca das redes sociais, trabalhando com os novos tipos de humor e criação. As escolas devem sair da basicidade em que estão, para mergulhar em projetos e dinâmicas (como passeios, trabalhos e teatros) que falem sobre a história, a cultura, as diferenças e riquezas do país, ensinando a valorizá-lo e admirá-lo desde cedo. Dessa forma, podemos concretizar um patriotismo permanente e verdadeiro, responsável por desejos de mudança e comprometimento com o país (e não só pela sua vitória em uma “Batalha de Meme”).