O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 30/09/2020

“Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”, são trechos do poema “Canção do Exílio” feito por Gonçalves Dias em 1843, onde o escritor ressalta o patriotismo e o saudosismo em relação à sua terra natal — o Brasil. Hodiernamente, de maneira contrária, o sentimento de patriotismo vem sendo cada vez menos perceptível em meio a sociedade brasileira, e isso decorre de fatores intrínsecos a uma sociedade pluralizada e segregada: a falta do sentimento de pertencimento e o insuficiente amparo Estatal.

Primeiramente, destaca-se que a constituição do Brasil como nação-estado se deu através de um processo de miscigenação de diversas culturas: a Europeia, que durante vários anos foi considerada hegemônica e tratava as outras culturas, indígena e africana, como inferiores e subordinadas. Por conseguinte, esse processo segregacional fez com que a distinção entre grupos étnicos estivesse cada vez mais enraizada socialmente e perdurasse até os dias atuais, fato que acaba por dificultar com que surja nos brasileiros o sentimento de pertencimento a uma unidade nacional, como um só povo e uma só nação.

A posteriori, a marginalização de indivíduos de classe baixa gera a problemática da desigualdade e seus ecos comunitários, tais como: falta de saneamento, água potável, saúde e educação de qualidade, fatores que são, por lei, obrigação de garantia por parte do Estado. De acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer “o homem toma os limites do próprio campo de visão como os limites do mundo”, nesse sentido, como resultado da segregação social, o indivíduo desacredita e se desvincula dos sentimentos pátrios, porquanto não se vê inserido socialmente e não o reconhece o Estado como promotor de seus direitos, tampouco efetuador.

Destarte, haja vista que a falta de patriotismo decorre de problemas sociais, certas medidas devem ser tomadas para que as pessoas possam se sentir como parte de uma nação coesa. Portanto, cabe primeiramente ao Ministério da Cidadania o dever de suscitar métodos mais eficazes que possam garantir os direitos básicos individuais, coletivos e sociais, para que a desigualdade seja cada vez menos presente em âmbito nacional. Ademais, cabe também ao Ministério da Educação criar políticas públicas que desestimulem práticas de preconceito étnico e que inserira, desde a educação básica, a noção de patriotismo aos brasileiros, para que com isso possam exigir cada vez mais seus direitos e cumprir com seus deveres como cidadãos.