O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 27/09/2020

Patriota: indivíduo que ama os símbolos de seu país e está disposto a defende-lo. Essa é a definição mais simples, comum e aceita sobre o que é ser patriota. Porém, no mundo e no Brasil, esse conceito tem sido questionado: quais são as atitudes, as característica que identificam um “verdadeiro” patriota? Não é uma resposta simples e nem única, mas certamente ser patriota não predispõe um ideário político.

Em primeira análise, muitos confundem patriotismo com nacionalismo, possibilitando que atrocidades sejam justificadas em nome do país. Isso porque nacionalismo está mais relacionado as características de determinado governo, que comumente buscam uma identidade nacional para justificar sua superioridade diante de outras nações. Além da problemática contida na ideia de supremacia nacional, a busca por uma identidade geral não depende de encontrar uma característica comum à todos, é sobre escolher qual ponto de vista será valorizado. Ou seja, o Brasil como é conhecido e divulgado é fruto do predomínio de uma visão. Exemplo da convencionalidade das características nacionais, tem-se o arianismo defendido por Hitler e que justificou o Holocausto.

Em segunda análise, tem-se no Brasil, por exemplo, a vinculação do patriotismo com um ideário político geralmente contraditório. Com o bipolarismo político que se verificou nas últimas eleições, muitos símbolos nacionais foram vinculados a partidos políticos que defendiam basicamente ideias semelhantes, como a defesa da família tradicional, defesa do neoliberalismo econômico, entre outros. Porém, esse movimento “patriota-partidário” está muito associado ao conceito de “complexo de vira-lata”, criado por Nelson Rodrigues, que discorre sobre o comportamento do brasileiro de acreditar que aquilo que é produzido no Brasil é inferior. Esse movimento é muito bem exemplificado pela pessoa de Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, que reverenciou a bandeira estadunidense em um comício eleitoral. Isso não é patriotismo, não é amar o Brasil, não é valoriza-lo em todas as esferas, é apenas uma forma de transvestir uma política injusta baseada em desigualdades e preconceitos.

Portanto, ser patriota não é sobre apoiar o governo, sobre defender ideias radicais como oferece o nacionalismo, é sobre amar o país por meio do vinculo de pertencimento estabelecido entre o indivíduo e a pátria. Com o intuito de ressignificar os símbolos que representam o Brasil (bandeira, brasão, hino etc.), neutralizando-o politicamente, o TSE deveria proibir o uso desses elementos em campanhas eleitorais e reuniões de caráter partidário. Com a desassociação política dos símbolos nacionais, o ministério da educação deveria iniciar uma campanha nas escolas sobre o que é ser patriota, ressaltando sua relação com a cidadania, como acredita o advogado Antonio F. P. Pedro.