O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 27/09/2020

O patriotismo é um sentimento deveras importante de valorização e apoio à pátria. Diante disso, Lima Barreto retrata em sua obra “O triste fim de Policarpo Quaresma” um personagem patriota ativo e exaltado pelo amor ao seu país que acaba decepcionado com a nação e os governantes. Dessa forma, no corpo social atual brasileiro, é possível observar problemas comuns ao livro como a falta de valorização e respeito ao país por muitos indivíduos, o que enfraquece os laços sociais e fortalece um individualismo. Por outro lado, o excesso de patriotismo torna-se também um empecilho na sociedade, uma vez que é capaz de causar condutas preconceituosas e até fomentar regimes totalitários.

A princípio, é importante ressaltar que o sentimento de apreço à nação é essencial para defender e valorizar os recursos naturais e a cultura e, ainda, para exercer a cidadania e participar de debates, como ocorria na Ágora em Atenas. Todavia, sua falta é apta a gerar problemáticas como a corrupção;  posto que o Brasil encontrou-se entre os 10 países mais corruptos, segundo o Fórum Econômico Mundial em 2016; e o “complexo de vira-lata” descrito por Nelson Rodrigues, em que é exposto que o brasileiro vive depreciando sua economia, cultura e moral nacional, e além disso valoriza mais o que é estrangeiro. Dessa forma, com a ausência de uma preocupação e dedicação à pátria, o individualismo fortalece-se e os interesse pessoais são colocados como prioridade, assim as diferenças são ignoradas e a despreocupação com o coletivo torna-se evidente, o que entra em contraste com o que defendia Aristóteles, já que para ele o homem, como um ser cível, deve preocupar-se com o bem comum.

Outrossim, o excesso de patriotismo também provoca empecilhos na sociedade, uma vez que pode ocorrer a aversão à outras nações, como a xenofobia, que resulta em episódios de violência moral e física, como verificou-se no Brasil em 2018, onde houve diversos ataques aos imigrantes venezuelanos, motivados pela crença de que são povos inferiores e perigosos. Ademais, o sentimento exagerado de nacionalismo já consolidou regimes totalitários como o Fascismo, em que é criada a ideia de um inimigo que deve ser exterminado para manter a harmonia no corpo social, e de que esse extermínio é sinônimo de apreço pela nação, o que torna-se um tipo de alienação extremamente perigosa.

Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, o Ministério da Educação, que é responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, em parceria com a mídia, deve, por meio de palestras nas escolas e propagandas televisivas, informar os indivíduos sobre a importância do patriotismo na sociedade e sobre os perigos de seu exagero, a fim de garantir uma nação mais unida e também evitar os males do excesso, como Policarpo Quaresma que amou e respeitou seu país, mas que também foi contra atitudes extremas pelo bem dos indivíduos.