O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/09/2020

O patriotismo é uma questão dúbia em sua essência, pois só poderá ser bom enquanto houver equilíbrio. No dialogo “Críton” , escrito por Platão, é oferecida à personagem de Sócrates uma chance de fugir, para evitar a  sentença de morte declarada pelo estado ateniense. O filosofo, entretanto, nega a oferta, alegando que confia nas decisões do próprio estado, e se a pátria julga ser necessária a sua morte, não hesitaria em servir uma ultima vez ao povo helênico.

A cena aborda as consequências do patriotismo em seu maior estagio: o amor a nação se sobrepondo ao amor a vida. Não só a própria vida, mas também a vida alheia, tanto daqueles que são de mesma nacionalidade, quanto daqueles que não são. O amor exacerbado pela pátria pode gerar um flerte com ideias imperialistas e xenofóbicas, uma vez que o desenvolvimento social-econômico do próprio pais poderá justificar atitudes protecionistas, ou de exclusão de estrangeiros, como no caso dos refugiados, por exemplo.

É inegável que um certo sentimento patriota é sim muito saudável para a nação, pois essa é a chave para que as sociedades tenham, dentre  seus valores morais, a valorização e o desenvolvimento da pátria. Contudo, não é cabível esquecer que o pensamento positivista também guiou pessoas a guerras, em nome da eugenia e supremacia. Como foi o caso dos alemães, italianos e japoneses na segunda guerra mundial.

É necessário, portanto, seriedade para falar sobre patriotismo nas escolas. Vê-se necessário ensinar a história do Brasil nas escolas como uma nação passível a receber amor e orgulho, um lugar verdadeiramente sublime, mas sempre com o adendo de que a vida é ainda mais sublime, seja ela de onde for.