O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/09/2020

Segundo pensadores gregos, patriotismo, que significa ‘‘do mesmo país’’ é um sentimento que se baseia em deveres morais que se têm para com a comunidade, é amar seu país, seus símbolos e servir suas funções a ele. Mas, ser patriota não é sinônimo de ser nacionalista, pois esse sentimento tem haver com o amor ao Estado. Sendo assim, não há importância com o bem estar e situação dos outros povos e nações, o que traz uma ideia de soberania, e é excludente. Nos dias que correm, a população brasileira em geral, deixa de lado o patriotismo. Isso ocorre principalmente por razão de desilusões, sejam elas causadas pela política, educação ou outros fatores sociais.

Primeiramente, nota-se que a política é um dos fatores determinantes quando se trata da questão do cidadão ser ou não patriota. Pois é ela e seus representantes que influenciam fortemente toda a sociedade. Há não muito tempo atrás, a ditadura de 1964 no Brasil se apropriou de diversos símbolos, como por exemplo a bandeira do país com um bordão ‘‘Brasil, ame-o ou deixe-o’’. Sabe-se que esse período foi muito conturbado, pessoas foram torturadas e dadas como desaparecidas, haviam muitos presos políticos, censura da imprensa, a inflação era alta e o desemprego assolava o país. Com tudo, esse autoritarismo fruto do Estado, trouxe consequências para o momento presente, como o medo, a repulsa, o afastamento do sentimento patriota e o individualismo. Além disso, atualmente há um retorno do sentimento nacionalista, confundido com o de ser patriota. Isso é perigoso pois faz com que há possibilidade de uma política autoritária e totalitarista.

Da mesma maneira, a educação também tem papel fundamental e prepoderante nessa questão. Já que esse conceito implica em um sentimento de pertencer a uma terra, que tem as raízes de um povo, experiências, valores, histórias e culturas cheias de pluralidade. Por outras palavras, é necessário que desde de jovem o cidadão seja educado para agir com respeito, sensibilidade, civilidade e justiça. Essas ações devem começar em casa, logo o jovem terá uma base e isso será reproduzido e transpassado nas esferas públicas, o que gera cidadãos e governantes mais éticos. Mas de maneira geral, não é o que acontece, pois os pais responsabilizam inteiramente a instituição escolar, que não tem o dever obrigatório de fornecer essa base e acaba por encontrar dificuldades no ensino de empatia e interação social que resulta no sentimento imponente do ser patriota.

Em suma, é de grande importância que a problemática da volta do nacionalismo confundido com a questão do patriotismo e a negligência para com no país, seja resolvido com sérias medidas fortificadas, tomadas pelo Ministério da Educação e responsáveis pelos jovens. Para que as pessoas tenham orgulho de ser quem são e que se possa falar ‘‘Ordem e Progresso’’ sem hipocrisia.