O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 30/09/2020
O patriotismo é o sentimento individual ou coletivo de devoção à pátria. Na atualidade, o ardor nacionalista parece desarranjado e turvo em meio ao cenário de intensa polarização política, sendo assim, pauta para discussões. Se por um lado, a aproximação do patriotismo pode ser feita com o nacionalismo exacerbado, fator comum aos governos totalitários, a exemplo do fascismo na Itália de Mussolini. Pelo outro, a consideração nacional é fator indispensável na prática da cidadania democrática.
Seguramente, há de fato diversas características comuns no patriotismo e no nacionalismo. Mais precisamente, colocando em termos simples, pode-se considerar o segundo como uma intensificação do primeiro. Quando, na Europa do séc. XX, apareceram os mais cruéis regimes totalitários, estes tinham em sua ideologia dois fatores relacionados aos dias de hoje: a divisão política e o nacionalismo. Com o propósito de evitar a repetição das atrocidades ocorridas no século passado, é necessário acender o alerta quando sinais surgem. Assim, lemas como “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos.” do presidente Jair M. Bolsonaro (2018), ou então, “Fazer a América grande novamente.” do presidente americano, Donald Trump (2016), devem ser postos à questão.
Contudo, ainda assim o olhar individual devoto de sua nação é um constituinte importante para o cidadão democrático. Uma vez que, o Brasil está sendo palco de segregações ideológicas, muitos optam por assumir uma postura de indiferença aos deveres democráticos. Como apontam os dados percentuais de abstenção nas eleições presidenciais de 2018, cerca de 20,3% dos eleitores não foram votar. O maior número desde a última constituição.
Em suma, o patriotismo é necessário para o democratismo. No entanto, não se pode deliberar irreversivelmente esse tipo de discurso sem questionar os seus fins. Portanto, o assunto dissertado deve ser pauta constante nos diálogos da sociedade. Consoante ao dito anteriormente, a radicalização política precisa ser combatida por companhas educativas do governo e pelos sistemas das mídias sociais. Para isso, o meio político precisa impedir a ascensão de políticos autoritários em seus partidos, colocando freios em discursos que ameassem a Constituição. Ainda, por meio do currículo escolar proposto pelo Ministério da Educação, espaços para constantes debates devem estar presentes na formação educacional, instigando nos indivíduos o olhar crítico de um cidadão democrático.