O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 30/09/2020
Na biologia, a homeostase é a capacidade da célula de se manter viva e estável dentro de um ambiente caótico e entrópico, cujo o destino tende à desorganização; tal como o corpo humano, que à medida que o tempo passa, suas células vão perdendo a capacidade de homeostase, e por conseguinte, o indivíduo envelhece até a morte. Analogamente, as civilizações são resultado direto de relações interpessoais, definidas no arquétipo de Estados Nacionais, cuja a finalidade é trazer o bem comum aos cidadãos. Nesse sentido, a existência de valores dentro do imaginário comum da sociedade, tal como o Patriotismo, traz à tona sentimentos exacerbados ao debate nacional devido à má utilização e representação do termo, num ambiente de discussão com grande polaridade ideológica.
É incontrovertível que o termo Patriotismo tenha sofrido de grande depreciação ao longo dos anos. Muito disso advém da história recente da formação das nações, como por exemplo o advento do Nazifascismo na Europa, que se ergueu em meio a ideais de ultranacionalismo e que culminou na morte de milhões de pessoas. Nesse sentido, muito embora definido no estudo histórico que “o povo que não estuda o passado, está fadado a repetir seus erros no presente”, atribuir conotação pejorativa e autoritária a um termo cujo suas premissas reais se baseiam na manutenção da identidade nacional, exaltando as glórias e moldando as derrotas, e que foi vilmente extrapolado em conjunturas específicas e ditatoriais, garante a persistência do sentimento de não pertencimento do cidadão em seu país.
Ademais, como definido pelo doutor filósofo da Igreja Católica, São Tomás de Aquino, o indivíduo se define por sua existência e sua circunstância. Logo, em parte do “ser cidadão” se imbui a premissa de conhecimento histórico e cultural de seu povo, e muito embora a existência hierárquica de termos maniqueístas como “pior” e “melhor”, ser patriota é saber seu lugar na história do mundo e agir em prol da transposição de eventuais erros históricos ou adversidades atuais, assim como estar ciente das glórias e beneméritos de sua civilização e seus antepassados.
Assim, é evidente o problema ser produto direto dos debates ideológicos e que revela a presença de narrativas opostas, o que é natural e plausível tendo em vista a grandiosidade de formas de percepção da realidade. Porém, tal como exortado pelo filósofo brasileiro, Olavo de Carvalho, em sua obra “O imbecil coletivo”, reduzir a língua portuguesa à utilização de chavões e cacoetes específicos a fim de descreditar o pensamento alheio, assume papel “imbecilizante” dentro da estrutura social. Cabe assim à sociedade, manter-se sempre aberta às diferentes expressões e opiniões, e julgar por si aquilo que seja mais correto e moral. Do mesmo modo, cabe à esfera judicial, julgar e punir os excessos, dentro daquilo que se espera ser o meio para a manutenção da vida.