O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 25/10/2020
Policarpo Quaresma, um personagem do escritor Lima Barreta, é um patriota, tal que busca solucionar os problemas do país, porém no fim chega a conclusão que a pátria não existe. No que concerne ao patriotismo em questão no Brasil, verifica-se que o desenlace de Policarpo se repete atualmente, visto que há uma crise nos valores da nação e a falta de identificação com o país por parte dos cidadãos.
A priori, é preciso atentar para a crise nos valores da nação. Para o economista North, o país é constituído não só por instituições -públicas e privadas- e o cidadão, mas também pela ética, moral, crenças e cultura. Hoje, vê-se que tais princípios estão degradados, dado aos constantes casos de corrupção entre agentes estatais e civis -como a Operação Lava Jato-, bem como o nocivo radicalismo político e religioso entre os cidadãos. Tal cenário corrobora para desvirtuar os valores da pátria, desse modo criando a percepção de desunião nacional e inexistência dela.
Outrossim, a falta de identificação com o país agrava o problema. Para Dom Pedro II, ser patriota é sentir-se vinculado à comunidade cultural, linguística, histórica e territorial da nação. Todavia com o advento da Revolução 4.0 o intercâmbio cultural entre os povos foi facilitado e massificado, tornando a ideia do Imperador vulnerável, visto que a população consome mais conteúdo extrangeiro ao nacional. Tal como apenas 5% dos filmes lançados no cinema são brasileiros -do Globo-, esse dado mostra a desconexão do cidadão com a identidade nacional. Logo, com a visão deturpada ele cria aversão a própria cultura e assim a pátria.
Portanto, é mister a ressignificação dos valores da nação e reconstrução da identidade nacional. Para tanto, o Ministério da Educação deve criar matéria complementar de civismo no currículo estudantil, por meio de aula dialogal semanal, a fim de inteirar os alunos sobre os símbolos da pátria. Além disso, a Secretaria da Cultura deve criar campanhas culturais, mediante séries e filmes na TV e internet, para ilustrar os acontecimentos históricos da nação. Assim, o desfecho de Policarpo não se repetirá.