O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 07/11/2020
O Iluminismo - movimento que deu origem a ideais de liberdade política e econômica, tem sua contribuição subvertida na nação brasileira, por não suprir as necessidades básicas da população com os recursos arrecadados dos tributos. Nessa visão, no contemporâneo, são precários os serviços públicos - transporte, educação, saúde- para que se garanta a dignidade da pessoa humana. Com efeito, hão de se combater a desigualdade social e o dúbio interesse na política.
Em primeiro plano, os elevados índices de desigualdade social é uma das principais causas da imposição do patriotismo no país. A esse respeito, o escritor Machado de Assis disserta: “Não é verdade que o Brasil esteja progredindo rumo a ser uma sociedade igualitária”. Por conseguinte, o acesso desigual as estruturas básicas no Brasil é precária, e desmotiva os seus nacionais a demonstrar o amor e devoção aos símbolos nacionais tal como é evidenciado nos Estado Unidos da América. Nesse sentido, o Estado por perceber esse comportamento quer a qualquer custo impor a nação essa veneração, ainda que seja uma fantasia. Assim, a pobreza e desigualdade no Brasil é real, todavia, o poder executivo - em busca de popularidade, distorce essa intolerável realidade.
De outra parte, o patriotismo exacerbado - produto de Estados totalitários, quer resgatar a moral e costume antigos para se manter no poder. Sob tal aspecto, o escritor Chico Buarque, na obra “Raízes do Brasil”, desenvolveu o conceito “Homem Cordial”, que atua sob um comportamento característico de generosidade e, esconde um caráter que se aproveita da proximidade para estabelecer o domínio do público pelo privado. Nessa perspectiva, governantes, ao fabricarem o patriotismo, tem por interesse que os mesmo se sintam representados e amados, estreitando essa relação. De modo que, sua decisão torna-se inquestionável - por ser o melhor para a nação, mas, lamentavelmente esconde a fútil necessidade de ser aceito e, consequentemente, de manipular. Lê-se, pois, como grave, diante de tão nocivo panorama, a distorção da cultura, cores, e símbolos nacionais.
Impende, portanto, que o cidadão lute contra esse regime manipulador que usa os símbolos nacionais para interesses pessoais. Para tanto, é impreterível que a sociedade civil - alicerce para a vida em sociedade, por meio de protestos nas redes sociais - Instagram, Facebook, Twiter -, deve repudiar a linguagem política que objetiva distorcer os símbolos e cores nacionais, de modo que esse comportamento não passe percebido até pelos cidadãos menos atentos, para que a sociedade como um todo tenha sua realidade atendida conforme sua necessidade, e não pelo discurso demagogo que prestigia apenas o poder. Feito isso, muito em breve, as conquistas dos iluministas serão factuais no Brasil.