O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 28/11/2020
O Brasil é um país com história recente. Já se passaram 518 anos desde a chegada dos colonizadores e apenas 198 anos desde sua independência. Este curto período histórico está repleto de tentativas malsucedidas de construção de uma identidade nacional, entre heróis ficcionais, cenas imaginárias e contextos idealizados, há pouco espaço para figuras históricas reais, para a memória das pessoas, para identificar o indivíduo como agente e para outros elementos fundamentais da construção do patriotismo. Como resultado, a pátria sofre uma idealização proveniente dessa deficiência na construção de um sentimento nacional. Estando de um lado, aqueles que desacreditam, e de outro, aqueles que usam o “patriotismo” como mero instrumento político.
É preciso primeiro compreender o verdadeiro sentido da palavra de quem se considera “amante da pátria”. Na verdade, o patriotismo tem a ver com o amor, mas se distancia do que atualmente se propaga no sentido de idealizar esse sentimento. Assim como acontece com o amor platônico, os patriotas usam a pós-verdade para construir um amor por um país perfeito e respeitado que não tem nada a ver com o Brasil.
Desmentindo o que muitos afirmam, o patriotismo não se trata somente da política, e sim de se sentir parte do país em que vive. Como o dramaturgo Aristófanes afirma, “Onde nos sentimos bem, é aí a nossa pátria”. Ou seja, o patriotismo não se refere somente a assuntos políticos, trata de conhecer a história de seu país, para que se sinta parte do mesmo e se proponha a exercer a cidadania em prol de todos.
Para isso, é imprescindível que a Secretaria da Cultura desmistifique a história do Brasil, retirando heróis ficcionais e valorizando verdadeiros agentes históricos. A história do Brasil precisa ser revelada e apreciada para aumentar a conscientização e começar a construir uma verdadeira identidade nacional. A medida final é que o Ministério da Educação inclua na base nacional curricular o estudo dos agentes históricos brasileiros para que as crianças e jovens sintam-se integradas à história brasileira.