O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/11/2020

O Brasil foi uma colônia de exploração portuguesa construída sobre a migração maior forçada de toda a história - quase 4 milhões de escravos africanos foram trazidos para o país. Enquanto a América espanhola prosperava com universidades e grandes cidades, o Brasil não passava de uma enorme plantação de cana-de-açúcar. Quando, em 1888, a escravidão foi abolida, ao promover a integração dos africanos à sociedade brasileira, o governo decidiu estimular a imigração da Europa para “embranquecer” uma população, e hoje quase metade dos brasileiros se identificam como brancos e quase 45% como pardos / negros.

O Brasil gosta de se considerar uma democracia racial, mas não está nem perto de ser. Daí o que alguns estudiosos afirmam ser um apartheid social, modificar por classes sociais muito distintas, com enormes disparidades de renda e acesso a serviços. Mas, direto ao ponto, deve-se dizer que os brasileiros querem gostar do Brasil, mas o país está constantemente se saindo mal de todas as formas possíveis, o que desmoraliza seus sentimentos patrióticos. Mesmo no futebol, que dominamos o ranking mundial por anos seguidos, não somos mais tão bons.

A violência é alarmante. A desigualdade é inacreditável. A corrupção está nas alturas. Com tantos motivos para não gostar do país, muitos brasileiros se sentem inferiores aos países do primeiro mundo onde tudo parece funcionar muito bem. Muitos acham o Brasil um bom país, mas não do Brasil que se conhece - o conjunto de instituições políticas e de governos - mas do Brasil que o cidadão comum construiu, aquele que é cheio de alegria, vida, calor, boa música, dança e gastronomia.

O método lógico para tornar os brasileiros mais patriotas, seria ter chefes de estado exemplares, que trouxessem honra ao país, menor desigualdade, baixas em índices de violência e um país que tomasse as decisões morais “corretas”.