O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/11/2020

“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas, de um povo heroico um brado retumbante (…)”. O referido trecho pertence ao hino nacional da República Federativa do Brasil, e foi criado por Francisco Manuel da Silva em 1822. Se realizada uma análise mais crítica, percebe-se a forte presença do patriotismo no referido hino, sentimento que, atualmente, não está tão presente no país como deveria. Na contemporaneidade, percebe-se a falta de perspectiva e amor à pátria por parte dos cidadãos, o que representa um grande risco para a cidadania (e patriotismo) em questão no Brasil. Isso se deve, em grande parte, a fatores como: o descaso estatal para com a população, além do individualismo e egocentrismo cada vez mais presentes no país.

Primeiramente, vale ressaltar que um dos grandes fatores limitantes do crescimento do patriotismo no Brasil é o descaso Estatal para com a população. A falta de boa infraestrutura pública faz com que a população sinta receio de viver em um país tão abandonado pelas autoridades, que não tomam atitude alguma apesar da carência da população. De acordo com os artigos 173 e 175 da Constituição de 1988, o Estado é responsável pelos serviços públicos, o que não está sendo respeitado. Além da Constituição não estar sendo respeitada, o patriotismo se torna quase inexistente, pois vivendo em um lugar onde a população se sinta oprimida e insatisfeita, é praticamente impossível que ele exista. Tal fato fere a Constituição vigente no país, sendo, portanto, de urgente intervenção nesse meio.

Ademais, o individualismo também é um dos fatores que impedem o patriotismo de se desenvolver no Brasil. De acordo com a teoria “modernidade líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, os valores morais estão invertidos na sociedade atual: nada é feito para durar, tudo muda constantemente. Desse modo, pode-se concluir que até mesmo os valores mais importantes (como o patriotismo e sentimento de coletividade, por exemplo) estão sendo invertidos: a cada dia, as pessoas se importam cada vez mais apenas com si próprias e cada vez menos com o coletivo: a pátria. E assim como o descaso Estatal, torna-se quase impossível que haja esse sentimento pela pátria, e isso deve ser resolvido.

Destarte, faz-se necessária uma intervenção nesse meio. Portanto, cabe ao Ministério da Educação a criação de programas que incentivem o patriotismo desde a infância nas escolas de educação infantil. Isso deve ser feito por meio de palestras e atividades lúdicas, que aplicadas ao menos uma vez por semana nas escolas de educação infantil, possam explicar às crianças, desde cedo, a importância do país e os símbolos nacionais de onde vivem. A partir dessas ações, espera-se o desenvolvimento pleno desse sentimento tão importante, tanto para o Brasil quanto para qualquer outro país: o patriotismo.