O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 21/11/2020
Em O Triste Fim de Policarpo Quaresma, obra do pré-modernista Lima Barreto, o personagem Policarpo é extremamente patriota, valorizando os símbolos nacionais e a adoção do Tupi como a língua oficial do Brasil. Fora da ficção, esse sentimento não se revela na realidade, uma vez que o patriotismo ainda não é visto como um elemento essencial na construção da cidadania. Com efeito, a fim de reverter esse cenário político fragilizado, hão de se combater a inobservância estatal e a desvalorização social como catalisadores desse problema.
Em primeira análise, a falta de assistência oferecida pelo Estado impede que haja um sentimento de pertencimento para com a nação. Essa conjuntura, de acordo com a teoria do filósofo John Locke, mostra-se como uma violação do “Contrato Social”, visto que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis, como o acesso à saúde, educação e moradia digna, por exemplo. Nesse sentido, como não são garantidos os seus direitos fundamentais, não é razoável que a população não tenha um sentimento de amor à pátria, haja visto que essa é incapaz de prover seus anseios básicos. Logo, enquanto o Estado falhar na sua função, a cidadania brasileira é protelada.
Em segunda análise, a desvalorização social do patriotismo contribui na marginalização da identidade brasileira. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nessa perspectiva, diante de um contexto que não valoriza o sentimento patriótico, ocorre um distanciamento maior com os deveres na nação e, por conseguinte, dificulta o fortalecimento coletivo de um sentimento de pertencimento. Dessa maneira, enquanto não houver uma mudança da mentalidade social, a identidade brasileira continuará sendo esfacelada.
Fica claro, portanto, que é essencial modificar essa atmosfera fragilizada. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, instância responsável pelas diretrizes educacionais do país, adotar a disciplina de “Moral e Cívica”, por meio da implementação ainda nas fases iniciais da educação básica, a fim de garantir a construção, desde a mais tenra idade, de um sentimento de pertencimento e fortalecimento da identidade brasileira. Assim, a atitude do fictício Policarpo possa torna-se realidade.