O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

O movimento modernista no Brasil, iniciado em 1922 com a Semana de Arte Moderna, preconizou, em outros aspectos, a criação e valorização, por meio de obras artísticas, da identidade brasileira. No entanto, quase um século mais tarde, o sentimento dos artista modernos não se reflete no panorama atual, haja vista a diminuição do patriotismo no país. Diante disso, observa-se a necessidade de debate acerca do tema, haja vista que sua manuntenção está atrelada à perda de confiança no governo somada à ausência de representatividade de alguns grupos.

Nesse contexto, é importante ressaltar, em primeiro lugar, que o histórico de corrupção no país é um empecilho à melhoria do quadro. Sob essa perspectiva, o historiador José Murilo de Carvalho, em seu livro “Cidadania no Brasil”, disserta que a falta de confiabilidade dos brasileiros nas instituições públicas no país cresceu após o processo de democratização, sobretudo devido aos escândalos de roubo de verba pública desde o governo Collor até, mais recentemente, com a gestão lulista. Em decorrência desse processo, o jornal “O Globo”, em matéria sobre o absenteísmo nas eleições, demonstrou que a falta de desvelo patriótico é evidenciado pelo número crescente de eleitores que não compareceram às eleições de 2018 e 2020.

Ademais, outro fator que corrobora o panorama atual é a falta de representatividade das minorias políticas nas esferas legislativa, judiciária e executiva. Sob esse viés, o sociólogo Georg Simmel relata, em seus estudos, que o sentimento de pertencimento à nação está intrinsicamente ligado à participação política, direta ou indireta, dos indivíduos. Entretanto, o programa televisivo “Profissão Repórter”, em episódio sobre a representatividade política, demonstrou que os homens brancos e heterossexuais são a maioria em todos os poderes no país. Como consequência disso, o preceito do pensador alemão é contrariado na prática, visto que as mulheres, negros e gays, por exemplo, não se sentem representados e pertencentes à sociedade, o que mantém o sentimento antipatriótico.

Fica claro, portanto, que a promoção do patriotismo encontra desafios na baixa representatividade política associada à descrença no Estado. Urge, dessa forma, que o Congresso Nacional, crie e aprove uma lei de cotas para que os grupos minoritários sejam representados em todos os três poderes. Tal lei deve contar com a análise demográfica do país para a definição das quantidades de vagas destinados a cada um dos públicos, assim como acontece com as cotas para as univeridades públicas. Além disso, o Governo Federal deve, em parceria com a mídia, por meio de uma propaganda, incentivar a participação dos diversos públicos nas eleições e concursos para os cargos públicos. Feito isso, o ufanismo presente nas obras modernas poderá, enfim, ser visto, também, no cotidiano brasileiro.