O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Na música “Sr.Presidente”, do rapper brasileiro Projota, o cantor denuncia a falta de patriotismo, no Brasil, a partir do seguinte trecho:“ô pátria amada e mal amada por filhos infiéis”. Nessa perspectiva, a não identificação do brasileiro com seu país, devido à negiligência do Estado e à cultura despatriótica da população, configura uma situação de descaso público, que inibe o progresso coletivo. Diante disso, a construção de uma personalidade civil identitária deve ser estimulada em todos os segmentos sociais.

Nesse contexto, a descrença em políticas públicas eficazes, por parte da sociedade, contribui para a desconstrução da sensação de pertencimento à pátria, uma vez que esse ato é menosprezado. Sob esse viés, a socióloga Hannah Arendt, por meio da teoria da “banalidade do mal”, explicita que a negligência a qualquer problema, como a despatriotização da sociedade enaltecida pelos governantes, pode desencadear em caos. A exemplo disso, no livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o patriotismo desmedido de Policarpo, ao ser ridicularizado por aqueles que não reconhecem a pureza de seu idealismo, o faz perceber que ele dedicou a sua vida a uma causa inútil. De maneira análoga, o Estado assume, por conseguinte, o papel de ridicularizador ao não reconhecer mecanismos que despertam o espírito de ser um cidadão brasileiro, de modo a apoiar essa problemática. Dessa maneira, a população se vê à frente de um cenário caótico, cuja remediação é improvável.

De outra parte, o culto demasiado às culturas estrangeiras e o civismo intermitente do indivíduo, no Brasil, desonram o verde e amarelo da bandeira nacional, cuja imagem se encontra desgastada. A esse respeito, o escritor Nelson Rodrigues propõe, por meio do termo “Complexo de vira-lata”, a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo, fator o qual dificulta a identificação com símbolos locais. Nesse sentido, a sociedade depara-se com um patriotismo sazonal, como em tempos da Copa do Mundo de Futebol, que floresce de acordo com a temporalidade, de maneira a não contribuir com o espírito de cidadão patriótico. À vista disso, não é cabivel que o país adquira o status de desenvolvido, visto o hábito de depraciação do sentimento de identidade nacional.

Portanto, cabe ao Estado encorajar o sentimento patriótico à população, por meio do incentivo ao estudo da história nacional, por exemplo, no intuito de tornar o brasileiro sabido de sua raiz pátria e, a partir daí, formular uma identidade cívica. Não obstante, deve haver uma reeducação da sociedade, por meio de publicações nas redes sociais, para que haja a desconstrução da ideia de inferioridade coletiva e o estímulo, nesse íntere, da valorização dos símbolos nacionais. Desse modo, o Brasil cantado nas músicas serviria de exemplo para as outras nações.