O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 27/07/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de quaisquer formas de conflitos sociais, a partir de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XIX. Analogamente,  o contexto brasileiro atual é semelhante ao precário de More, pois a carência do patriotismo é latente, visto que a arcaicidade escolar e a indiferença midiática são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desses fatores.

É de crucial importância, de início, analisar o teórico papel das escolas de formar valores para a inserção dos indivíduos na sociedade. Dessa forma, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do oprimido”, entendia que as metodologias escolas hodiernas são arcaicas, por priorizarem o ingresso nas faculdades em detrimento do estímulo à valores ímpares, como o civismo e o patriotismo. Essa arcaicidade potencializa a perpetuação de jovens sem o espírito cívico, o qual garantiria a construção de uma conjuntura mais preocupada e ativa em relação às injustiças sociais, como ocorreu no movimento das Diretas Já. Assim, enquanto essa predominância metodológica escolar persistir, não haverá cidadãos atuantes nas diversas esferas sociais, como a política.

Outrossim, convém ressaltar a teoria da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito à naturalização de problemáticas e sua consequente banalização. Desse modo, há, na realidade, o cenário da naturalização da indiferença midiática acerca da promoção de campanhas nas redes sociais, por exemplo, as quais fariam com que haja o aumento do engajamento na questão patriota. Ocorre que essa omissão da mídia ocasiona uma postura inercial da sociedade, a qual é impossibilitada de ter seu espírito patriota desenvolvido, em detrimento do usufruto de conteúdos superficiais e carentes de estímulo crítico. Nesse ínterim, se a mídia não alterar sua postura, unicamente voltada à superficialidade, o patriotismo brasileiro continuará em crise.

Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para criarem projetos cívicos, por intermédio da promoção do canto nacional, o qual foi secundarizado nas escolas, e de palestras e debates em horários de aula. Essas ações em sala seriam efetivadas por professores e responsáveis, os quais iriam ter a enfatização na necessidade de haver tal estímulo para que os alunos não sejam inertes frente à sociedade precária do Brasil e todas as suas injustiças sociais. Isso teria o fito de aumentar o engajamento e estimular o sentimento cívico e patriota dos jovens.