O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Durante o centenário da independência do Brasil, em 1922, emergiu um movimento artístico que buscava representar a realidade brasileira e exaltar seus atributos, preconizando os elementos sem influências estrangeiras: o Modernismo. Entretanto, nota-se que esse afeto pelo país não se reproduz hodiernamente, pois a sociedade brasileira afastou-se do patriotismo. Dentre os fatores para essa conjuntura, então, ressalta-se o complexo de vira-lata do brasileiro e a periodicidade dessa conduta.
Em primeira análise, cabe destacar que o povo brasileiro, vulnerável e marginalizado, não acolhe as virtudes da pátria. Segundo o escritor nacional Nelson Rodrigues, a população do Brasil se inferioriza e supervaloriza as tradições estrangeiras, já que não encontra pretexto histórico para seu enaltecimento: conceito denominado de complexo de vira-lata. Assim, os inúmeros problemas sociais nacionais, como a corrupção e as precárias condições de vida, distanciam o cidadão do engajamento em práticas patrióticas, promovendo a depreciação de sua terra. Logo, é crucial que se estabeleçam medidas para integrar o indivíduo no meio em que vive, a fim de promover mudanças no imaginário brasileiro.
Ademais, há uma sazonalidade na expressão do patriotismo, fator que é prejudicial à construção desse sentimento. Durante a Ditadura Militar, o presidente Emílio Médici investiu em campanhas ufanistas, uma vez que o Brasil conquistou a Copa do Mundo do futebol em 1970, associando o progresso nacional com esse esporte. De maneira análoga à esse retrato histórico, a presença do amor à pátria apenas em situações específicas - como no carnaval e nos jogos olímpicos - impede que o país seja devidamente valorizado e respeitado em outras épocas, prejudicando a delimitação de uma identidade com os valores históricos e culturais brasileiros.
É fundamental, portanto, estabelecer caminhos para o desenvolvimento do patriotismo, seja no âmbito educacional, seja no midiático. Para isso, o Ministério da Cidadania, em colaboração com o Ministério da Educação, devem estruturar a valorização da identidade nacional na grade curricular do ensino primário, mediante o ensino de práticas cidadãs e do reconhecimento da cultura brasileira nos períodos escolares - como os de história e de sociologia -, tendo em vista o crescimento do otimismo perante o país para as futuras gerações e o seu comprometimento com a transformação do Brasil. Outrossim, o Governo Federal precisa promover propagandas de veiculação nacional, durante todo o ano, que enalteçam a cultura brasileira e a sua exuberância, com o objetivo de aumentar o sentimento de pertencimento à pátria. Com essas providências, recuperar-se-á a prática patriótica presente no Brasil de 1922.