O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 19/11/2021

A primeira geração do Romantismo – escola literária do século XIX – prezava pelo sentimento nacionalista em virtude do contexto histórico: a recente independência do Brasil. Entretanto, a atual população tupiniquim, lamentavelmente, diferencia-se dos autores românticos, visto que o patriotismo é uma emoção pouco manifestada devido não só à lacuna educacional, mas também à influência midiática. Com efeito, urge analisar essas causas, com o intuito de instaurar o amor pela nação. À vista disso, insta salientar a falha do sistema educacional sob a perspectiva de Rubem Alves. De acordo com o escritor, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, uma vez que são capazes de proporcionar voos ou perpetuar situações de exclusão.

Nesse sentido, as instituições de ensino no país adotam posturas de gaiolas, pois, pelo fato de usufruírem de uma metodologia oriunda do Iluminismo – baseada, apenas, no repasse de conteúdo –, não desenvolve, entre os alunos, o amor pela pátria, o qual pode ser alcançado a partir do conhecimento aprofundado em aulas lúdicas a respeito da história do Brasil, que, hoje, é repassada, predominantemente, por meio de ensinamentos expositivos. Assim, é ilógico que, no século XXI, os colégios ainda estejam à mercê de um modelo didático oriundo do século XVIII, de modo a impedir a atração dos estudantes por assuntos da pátria.

Cabe ressaltar, outrossim, a interferência danosa da mídia nas ações dos sujeitos. A esse respeito, os sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer, ambos da Escola de Frankfurt, defendem que os veículos de comunicação manipulam o comportamento dos indivíduos, visando ao lucro. Nessa lógica, infere-se que a mídia verde-amarela, apesar de possuir a capacidade de fomentar o sentimento nacionalista mediante a exaltação de aspectos locais, prioriza vangloriar os demais países, haja vista que aborda, muitas vezes, somente os acontecimentos positivos das outras nações, sobretudo as europeias. Por conseguinte, os cidadãos abandonam o patriotismo e acatam o “complexo de vira-lata”, isto é, o sujeito se coloca em posição inferior ao resto do globo.

Portanto, cabe às escolas, por meio de “workshops”, enfatizarem a formação histórica e cultural do Brasil. Esses eventos devem conter a participação de professores de história e de sociologia, por exemplo, os quais podem enfatizar, a partir de atividades lúdicas, os aspectos positivos da nação, a fim de promover uma metodologia pautada no amor à pátria. Além disso, com o fito de cessar o “complexo de vira-lata”, é preciso que a mídia – tendo em vista seu poder de propagar informações – contemple os acontecimentos e a formação identitária do país mediante anúncios publicitários. Dessa forma, poder-se-á observar o sentimento dos românticos entre a atual população brasiliana.