O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 12/10/2021

De acordo com o filósofo grego Aristóteles “o homem, por natureza, é um animal político”. Por esse viés, é indubitável a relevância da participação dos indivíduos na construção de uma sociedade justa e solidária. Assim, para que isso ocorra, torna-se essencial a existência do patriotismo. Conquanto, no cenário hodierno, a presença desse sentimento entre certos cidadãos está ausente, circunstância oriunda tanto da pouca valorização de elementos da pátria, quanto da falta de ambientes comunitários para exercício da atividade política.

Nessa conjuntura, convém enfatizar que a carência de apreciação aos símbolos do país está entre as principais causas do revés. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar o escritor Nelson Rodrigues e seu conceito de “complexo de vira-lata”, que designa a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Por conseguinte, determinados sujeitos enaltecem manifestações culturais e políticas de outros países, se posicionando de modo ínfero aos elementos de sua própria cultura. Ocorre que, lamentavelmente, essa situação ocasiona a falta de interesse de certas pessoas com os assuntos políticos e socias da nação, o que demostra o desprovimento de identificação com os elementos da pátria.

Ademais, é lícito postular que escassez de locais coletivos para que ocorra a política é um dos principais fatores que agravam o impasse. Nesse sentido, segundo a filósofa Hannah Arendt, a condição humana de pluralidade depende da preservação do espaço público, para que ocorra a ação política pautada no agir e no falar. É nesse espaço que se constitui o mundo no qual todos podem se expressar, e quando os homens são privados desse espaço, o novo fica impossibilitado de surgir. Portanto, é notório que para o civismo estar vigente no tecido social, torna-se necessário a constituição de locais para que estes exerção seus papeis nas decisões públicas.

Depreende-se, em suma, a necessidade de ações para atenuar a problemática. Para tanto, com o objetivo de ampliar a participação da sociedade no exercício da atividade política, o Ministério da Cidadania, por meio das respectivas prefeituras de cada cidade, deve desenvolver um programa no qual a coletividade possa ir deliberar sobre as ações públicas a serem tomadas - que pode ocorrer, por exemplo, com designação de horários  e locais específicos para que a população possa ir. Desse modo, a natureza humana expressa por Aristóteles será efetivada.