O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 16/11/2021
Em meados de 1924, Oswald de Andrade publicava o denominado “Manifesto do Pau-Brasil”, obra que buscou a valorização da identidade nacional por meio da afirmação de que o país deveria romper os elos que o ligavam -desde o nascimento- à influência estrangeira. Hodiernamente, entretanto, é notório que o Brasil, em razão do civismo sazonal e do desconhecimento acerca da história da nação, enfrenta desafios no que tange à valorização de sua pátria. Logo, são necessárias ações sociais e estatais a fim de estimular o patriotismo em questão no país.
Em primeiro plano, é imperioso salientar que a sazonalidade -com a maior ocorrência em datas festivas- das manifestações de amor à pátria, aos seus símbolos e ao seu povo, é uma adversidade crônica que dificulta a institucionalização do civismo na sociedade. A título de ilustração, durante a Copa do Mundo de 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici utilizou, com auxílio da mídia, o futebol como o verdadeiro símbolo do patriotismo brasileiro, o qual foi relacionado naquela época exclusivamente a essa prática esportiva. Com efeito, percebe-se que, mais de 5 décadas depois, a mentalidade da população ainda não foi transformada, impossibilitando a ocorrência regular de uma postura patriótica. Assim, faz-se imprescindível uma mudança de percepção social com o escopo de efetivar uma das práticas mais relevantes para o progresso de um país: o amor à pátria.
Ademais, é fato que substancial parcela da juventude preocupa-se pouco -ou nada- com os rumos do nação, o que é potencializado pela escassa discussão sobre a cultura brasileira nas escolas. Por conseguinte, há um desconhecimento acerca, por exemplo, da exuberância da fauna e da flora, das particularidades de cada região e das matrizes étnicas presentes no processo de formação da nação. Contrariamente a essa lógica, o artigo 215 da Carta Magna preceitua o pleno exercício dos direitos culturais, além do acesso às fontes de cultura nacional. Desse modo, é contraditório observar que apesar de ser um direito garantido pela constituição, a população permaneça alheia aos conhecimentos sobre a cultura e a história de seu país, inviabilizando a formulação do sentimento de pertencimento.
Portanto, urge que o Governo Federal, responsável pelos interesses da administração em todo território nacional, invista, por intermédio de verbas, na realização de campanhas publicitárias de enaltecimento do país, a fim de viabilizar a eventualidade- sem ligação com àquela influenciada pela governo de Médici- do patriotismo. Somado a isso, compete ao Ministério da Educação, uma discussão mais efetiva sobre os aspectos naturais, sociais e políticos do Brasil, com o fito de possibilitar o conhecimento acerca do próprio local de vivência. Somente assim, poder-se-á concretizar os objetivos demarcados desde a publicação do “Manifesto do Pau-Brasil” por Oswald de Andrade.