O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 16/11/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se concretizado na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel” - quando se observa a falta de patriotismo pela sociedade brasileira, colaborando para a perda da identidade nacional e do engajamento cívico. Dessa maneira, por causa da negligência do Estado, bem como a desinformação, essas consequências são agravadas. Assim, faz-se fulcral a análise desses fatores.
Com efeito, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Nesse sentido, a escassez de projetos estatais que visem a promover o espírito patriota por meio da educação infantil à superior contribui para o crescimento de cidadãos sem o sentimento de pertencimento e orgulho à pátria brasileira. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o governo não exerce sua função de garantir o bem-estar social. Um exemplo disso é quando a população somente apresenta esse patriotismo em eventos futebolísticos como a Copa do Mundo, fazendo, assim, um desconhecimento desse assunto tão importante.
Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade brasileira no que tange ao patriotismo, é uma grande impulsionadora desse entrave. Nesse contexto, devido à falta de informações nas redes midiáticas sobre a importância do entendimento e do exercício do espírito patriota, há a relativização desse pensamento enriquecedor para sociedade brasileira. Nesse horizonte, segundo Milton Santos, “a globalização une e segrega ao mesmo tempo”. Sob esse viés, em um mundo globalizado, em virtude do desenvolvimento dos meios de comunicação, observa-se um maior consumo cultural, midiático de outros países e continentes como Estados Unidos e Europa. Dessa forma, esse sentimento de orgulho pátrio é esquecido em detrimento de outros sujeitos estrangeiros.
Portanto, percebem-se os entraves que contribuem para a persistência da perda de identidade nacional. Destarte, cabe ao Ministério da Educação (MEC) construir esse sentimento logo na infância, mediante aulas voltadas a esse assunto tão importante e esquecido, como também debates e projetos lúdicos nas escolas, a fim de inserir o patriotismo nos cidadãos. Ademais, é mister ao Ministério das Comunicações abordar a importância de valorizar a cultura, costumes e hábitos nacionais, por meio de propagandas e campanhas publicitárias que enfatizem o verdadeiro valor do ser brasileiro, no intuito de liquidar essa falta de pertencimento. Desse modo, será possível edificar uma sociedade com o espírito patriota.