O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 16/11/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de conflitos sociais, a partir de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XVII. Analogamente, a conjuntura brasileira hodierna é semelhante à de More, pois o patriotismo está cada vez menos latente, uma vez que a educação precária e a omissão estatal são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desses fatores.

É de crucial importância, nesse sentido, analisar a ideia do pedagogo Paulo Freire, no livro “Pedagogia do oprimido”, a qual diz respeito à arcaicidade escolar, o que torna os jovens despreparados para o mundo. Essa arcaicidade dá-se pela predominância de métodos de ensino técnicos em detrimento do estímulo aos valores fulcrais, como o patriotismo, o qual promove o sentimento de pertencimento à nação. Dessa maneira, por haver a carência desses valores, a sociedade tem o aumento da indiferença frente à valorização dos elementos nacionais que os circundam, como os símbolos e a cultura. Assim, enquanto o patriotismo continuar sendo secundarizado nas escolas, o futuro do Brasil será unilateral: a falta de pertencimento dos cidadãos à nação.

Outrossim, convém ressaltar o movimento das Diretas Já, ocorrido durante a redemocratização brasileira, em 1985, em que os estudantes, dotados dos sentimentos cívico e do patriótico, reivindicaram mudanças para a melhoria da realidade. Na contemporaneidade, contudo, tais valores estão em crise, por haver pouco estímulo por parte estatal, sobretudo aos jovens, evidenciando a omissão do Estado. Ocorre que a falta de projetos públicos incentivadores do patriotismo, como a exposição semanal do hino nacional nas redes televisivas, corrobora o cenário lastimável. Nesse ínterim, se o Estado se mantiver inerte, os jovens serão formados socialmente sem exercer seu dever de reivindicar mudanças na conjuntura, o que perpetua diversas problemáticas, as quais poderiam ser atenuadas caso houvesse o aumento do patriotismo.

Urge, por conseguinte, a mudança da postura dos agentes responsáveis por potencializar o valor patriótico na sociedade. Desse modo, as escolas devem elaborar projetos socioeducativos, por intermédio da reunião de todos os estudantes do recinto escolar, em que seria promovido, semanalmente, o culto à bandeira e ao hino nacional. Tal ação teria a finalidade de estimular o sentimento cívico e o patriótico nos jovens, para que haja o aumento da valorização dos símbolos nacionais e, também, o aumento do sentimento de pertencimento à nação. Destarte, como efeito disso, a sociedade brasileira, no futuro, terá o corpo civil formado por cidadãos ativos frente às problemáticas.