O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Criado no século XVIII, o IHGB -Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro- surge como necessidade de, pela primeira vez, pensar o Brasil como Estado na realidade pós- independência. Nesse contexto, o órgão foi de suma importância para fornecer aos brasileiro uma atmosfera de nacionalismo, até então, nunca experimentada. Entretanto, o patriotismo, importante para manter o povo em sintonia com o país, mostra-se cada vez mais negligenciado pela sociedade. Nesse sentido, torna-se premente analisar as principais causas para o problema, como a omissão das escolas e a globalização que diluiu as relações entre sujeito e nação.
Diante desse cenário, é lícito destacar a ineficácia educacional como motivador para a continuidade de óbice. Nesse viés, o pedagogo Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, discorre acerca da necessidade de fomentar uma aprendizagem eficaz, isto é, pautada na formação de cidadãos. No entanto, ao analisar a grade curricular vigente, a ausência de aulas culturais sobre o Brasil- indispensável para formar um ideário de cidadania-, revela o corrompimento do ideal freiriano. Com isso, nota-se, na própria escola, um desestímulo ao patriotismo, uma vez que o aluno não recebe parâmetros sólidos do significado de ser brasileiro. Assim, ao priorizar matérias conteudistas em detrimento de abordagens sociais emerge uma geração apática no que tange a situação do país e denuncia a subversão do papel da educação: preparar o indivíduo para a vida em sociedade e ciente do seu entorno.
Ademais, cabe pontuar a falta de autonomia na internet como contribuinte para afastar a população do civilismo. Sob esse prisma, o sociólogo jamaicano Stuart Hall entende a globalização como um fenômeno de apagamento de identidades de países não protagonistas do evento. Nessa perspectiva, em consonância com o estabelecido por Hall, o Brasil presencia um distanciamento da população com a cultura nacional, ao passo que incorpora, sem maiores reflexões, expressões estrangeiras, como a norte-americana e europeia. Desse modo, as redes sociais são veículos promovedores dessa coerção cultural, responsável não apenas por homogeneizar os pensamentos, mas também restringe o patriotismo local. Por conseguinte, tal situação provoca no brasileiro um sentimento de não pertencimento à nação, prejudicial já que fragiliza a coesão do homem com seu território, ou seja, com a sociedade. Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o Ministério da Educação – órgão responsável por promover a transformação na mentalidade social- deve estimular o patriotismo nas escolas, por meio de aulas culturais sobre o Brasil, com o objetivo de apresentar o tema de forma atrativa aos alunos, bem como palestras para elucidar os adolescentes a desenvolverem uma reflexão crítica no âmbito virtual. Espera-se, com isso, que o civilismo estimule os jovens a participarem ativamente da pátria brasileira.