O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 13/03/2022

A exaltação cega e devoção descontrolada de uma nação sobre seu país revela a ignorância humana perante o patriotismo e seu real intuito de criar um sentimento de pertencimento e integração nacional. A Constituição Brasileira de 1988 assegura o direito de participação política dos cidadãos perante o Governo vigente. Apesar disso, o patriotismo exagerado relativiza e diminui a importância da atividade política das pessoas acarretando, principalmente, na aceitação popular passiva perante as medidas governamentais e, consequentemente, alienação populacional.

A inatividade da nação perante as decisões acatadas pelo governo é uma consequência direta do patriotismo exacerbado. Durante o período da Era Vargas no Brasil, no Estado Novo, fora instaurada uma ditadura de cunho altamente patriótico que se deteve às propagandas para formar uma imagem carismática do presidente Getúlio Vargas e desfocar a atenção da população de suas manobras políticas. Atualmente, apesar da saída do regime ditatorial, o governo brasileiro prevalece estagnado na valorização desregrada do país, o lema “Deus acima de todos, Brasil acima de tudo” sustentado por Jair Bolsonaro durante sua campanha presidencial é um exemplo disso. Nota-se, então, que a estratégia de ludibriar a camada popular por meio do patriotismo é atemporal e funciona devido à aceitação popular, pois quando a nação acredita firmemente no governo, acarreta num desinteresse perante suas ações. Sendo esse ato de irreverência um absurdo, porquê é um dever do cidadão fiscalizar os políticos, afastando-se da “cortina de ignorância” que recobre o patriotismo.

Portanto, sabendo disso, se faz necessário que o MEC viabilize debates e discussões nos ambientes acadêmicos acerca da definição de patriotismo e da importância do sentimento de nacionalidade e orgulho da pátria de forma moderada, sem ignorar a participação política cidadã. Enquanto o Ministério da Cidadania associado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e etc, deve, através dos Governos Municipais e Estaduais, disponibilizar, nas bibliotecas públicas de todo o país, o acesso gratuito a internet, como forma de democratizar o conhecimento e evitar a alienação.