O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 05/05/2022
Na obra ‘’Triste Fim de Policarpo Quaresma’’, do escritor Lima Barreto, a trajetória do protagonista é marcada pelo patriotismo exaltado em sua conduta e escolhas de vida, fato considerado estranho pelas pessoas ao seu redor. De maneira análoga, o cenário brasileiro atual é caracterizado pela polarização frente à identidade nacional, onde se têm a oposição entre ufanistas e indivíduos que não são possibilitados de reconhecer os símbolos cívicos como integrantes da sua cultura. Nesse contexto, não apenas a negligência estatal, como também a apropriação política desse sentimento são os maiores indícios dessa problemática.
Em primeira análise, cabe pontuar que, o artigo 215 da Constituição Federal de 1988 assegura que o conhecimento da cultura nacional e sua manifestação são direitos primordiais. Contudo, a esfera governamental não atua satisfatoriamente para viabilizar essa premissa, uma vez que mecanismos primários, como as instituições educacionais, acerca de representações da pátria, são, em geral, postos em segundo plano. Dessa maneira, tal postura contraria os ideais modernistas indicados pelo ‘’Movimento Verde e Amarelo’’, buscava valorizar a identificação nacional e desenvolve-la entre todos os estratos da sociedade, visto que os valores e a moral conquistadas por meio dela são essenciais para formação cidadã. Sendo assim, é necessário que o Poder Público repare esse impasse através de medidas instrutivas.
Ademais, vale ressaltar, ainda, que a utilização do patriotismo no âmbito político é, majoritariamente, uma ferramenta para conquistar apoiadores pautada no enaltecimento do território e seus elementos emblemáticos. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, essa ação se trata um ‘’Poder Simbólico’’, cujo é determinado pela influência do corpo social via instrumentos representativos.
Diante dos fatos mencionados, é mister que providências sejam tomadas para reverter os aspectos negativos do patriotismo no Brasil. Para resolver esse entrave, urge que o Ministério da Educação institua campanhas semanais em escolas e universidades sobre a conjuntura cívica da nação, por meio de palestras socioeducativas ministradas por sociólogos, exposições artísticas típicas e debates, a fim de que a identidade cultural seja expandida exercida com discernimento.