O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 12/10/2022
Na obra “triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, a trajetória é marcada pelo patriotismo exaltado em sua conduta e escolhas de vida, fato considerado estranho pelas pessoas ao seu redor. De maneira análoga, o cenário brasileiro atual é caracterizado pela polarização frente à identidade nacional, onde se têm a oposição entre ufanistas e indivíduos que não reconhecem os símbolos cívicos. Nesse contexto, não apenas a negligência estatal, como também a apropriação política desse sentimento são os maiores índicios dessa problemática.
Nessa perspectiva, é necessário pontuar que o patriotismo exagerado diminui a importância da atividade política das pessoas acarretando, principalmente, na aceitação popular e, consequentemente, alienação populacional. Durante o período da Era Vargas no Brasil, no Estado Novo, fora instaurada uma ditadura de cunho patriótico que se deteve às propagandas para formar uma imagem carismática do presidente Getúlio Vargas e desfocar a atenção da população de suas manobras políticas. Atualmente, apesar da saída do regime ditatorial, nota-se que a estratégia de ludibriar a camada popular por meio do patriotismo é atemporal e funciona devido à aceitação popular, pois quando a nação acredita firmemente no governo, acarreta num desinteresse perante suas ações.
Ademais, a alienação popular se mantém como um pilar de manipulação sistemática dos órgãos administrativos, tendo sido alcançado através do ideal patriótico de confiabilidade nos políticos. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bordieu, essa ação se trata de uma “violência simbólica “, uma violência que é acometida com a cumplicidade entre quem sofre e quem a pratica, sem que, frequentemente, os envolvidos tenham consciência do que estão sofrendo ou exercendo. Nesse sentido, esse meio de manipulação, faz as pessoas desacreditar de outras fontes de notícias que sejam contrárias.
Portanto, o combate ao patriotismo exacerbado precisa ser uma realidade palpável. Para isso, convém ao Ministério da Educação, instituir campanhas semanais em escolas e universidades sobre a conjuntura cívica da nação, por meio de palestras socioeducativas ministradas por sociólogos e debates, a fim de que a identidade cultural seja expandida com discernimento.