O poder de manipulação das mídias
Enviada em 20/01/2020
Embora se divulgue largamente que o consumismo desenfreado seja gerado pela mídia e que ataca em sua grande maioria os adolescentes, é preciso observar que o consumismo, também, é provocado por outros fatores de grande ou maior influência além deste. O consumismo é uma tendência cultural, que se faz mais evidente nos nossos dias atuais e impactam a todos, não apenas aos adolescentes, mas também estimula ao consumo de modo inconsequente, trazendo uma série de danos para todos que praticam esse mal hábito. O que realmente motiva essa tendência?
O problema do consumismo compulsivo pelos adolescentes e crianças, inicialmente, deve-se a uma educação familiar precária em que os pais não impõem limites para seus filhos. Uma pesquisa realizada pelo Painel Nacional de Televisores, Ibope 2015, constatou que a criança e o adolescente brasileiro, entre 4 e 17 anos, ficam em média 5 horas e 35 minutos por dia assistindo à televisão.
Além de induzir ao consumismo irresponsável, ficar por longos períodos de tempo em frente à televisão resulta em problemas como: obesidade, consumo precoce de tabaco e álcool, erotização precoce, agressividade e violência, indisciplina na escola, depressão, estímulo à ignorância, estresse na família, entre outros.
Ao se deparar com adolescentes e crianças inflexíveis, mal-humoradas e intransigentes, os pais e educadores não sabem o que fazer para remediar o problema e por muitas vezes acabam cedendo a seus caprichos sem terem noção do mal que estão causando a eles.
Apesar de toda a forte influência da mídia, não monitorada, outro ponto a ser considerado é o consumismo causado pela necessidade de aceitação social do indivíduo. O consumo revela-se como instrumento de inclusão do adolescente, ou da criança, no meio social em que ele(a) vive. Segundo o psicológico Dr. Augusto Cury, o consumo é uma espécie de analgésico que gera tensão e prazeres superficiais. Considera-se o consumismo desenfreado como um tipo de droga, pois causa dependência contínua com o intuito de obter fuga da realidade e uma sensação momentânea de felicidade, tornando-se em um ciclo vicioso. Tendo em vista os aspectos observados, entende-se que o hiper consumismo dos adolescentes não é principalmente gerado pela mídia em si, mas deferido pelos pais. Seja por negligência, seja por “necessidade”, tal consentimento trará consequências devastadoras, não apenas para os filhos, mas para a sociedade como um todo, porque eles são o futuro da nação brasileira. Por esta razão, os pais devem monitorar com mais eficácia o tempo e o conteúdo assistidos pelos seus filhos. A família certamente desempenha um papel fundamental na formação de mundo e caráter de seus filhos. Da mesma forma, é dever dos pais e educadores ensinar à criança e ao adolescente, a questionar e a duvidar dos próprios pensamentos, ter raciocínio logico, senso crítico através de métodos eficazes como, por exemplo, o diálogo aberto em salas de aula e em casa para que se entenda que o consumismo pode se tornar um ciclo vício e nocivo para toda uma geração.