O poder de manipulação das mídias
Enviada em 03/02/2020
Embora muito se divulgue que a causa do consumismo desenfreado seja gerado pela mídia, é preciso observar que nem sempre isso se configura como realidade. Tal tendência se originou há alguns séculos, quando as pessoas começaram a consumir de forma exagerada, e não pela necessidade, tanto que, tem-se alimentado um ciclo vicioso que traz uma série de danos sociais e ambientais. Isso porque, o aumento da exploração dos recursos naturais para a geração de matérias-primas, tem esgotado as florestas, o solo e até mesmo os recursos renováveis tais como a água.
Após a Revolução Industrial, houve-se uma produção excessiva das fábricas, tanto que, ficaram com grandes estoques de produtos sem um mercado consumidor que correspondesse a tal demanda. Nos Estados Unidos, por exemplo, devido ao surto de produção, desencadeou-se a crise de 1929. Na época para remediar o problema, o governo tomou algumas medidas como: a facilitação do crédito e o aumento de salário, para que toda a população consumisse pronto e pudesse pagar a prazo, o que provocou o consumismo inconsequente.
Atualmente, por meio da mídia, o problema se agravou ainda mais, impactando famílias de forma negativa, e em particular as crianças e adolescentes. Uma pesquisa realizada pelo Painel Nacional de Televisores, Ibope 2015, constatou que a criança e o adolescente brasileiro, entre 4 e 17 anos, ficam em média 5 horas e 35 minutos por dia assistindo à televisão. Prática esta que instiga o consumismo irresponsável e resulta em problemas como: obesidade, consumo precoce de tabaco e álcool, erotização precoce, depressão, estresse, entre outros.
Outro ponto a ser considerado é o consumismo causado pela necessidade de aceitação social do indivíduo em busca da felicidade. O consumo revela-se como instrumento de inclusão do adolescente, ou da criança, no meio social em que ela vive. No entanto, o sociólogo Zygmunt Bauman afirmou que, “o consumismo promete algo que não pode cumprir: a felicidade universal."
Tendo em vista os aspectos observados, entende-se que o hiper consumismo da criança ou do adolescente não é principalmente gerado pela mídia em si, mas por ausência de conhecimento, entendimento, e instrução vinda dos pais e educadores. Seja por negligência, seja por “necessidade”, tal consentimento trará consequências devastadoras para as gerações por vir. Por esta razão, os pais devem monitorar com mais eficiência o tempo e o conteúdo assistidos pelos seus filhos. Semelhantemente, é dever dos educadores ensinar à criança e ao adolescente a ter senso crítico, e através de métodos eficazes, como o diálogo aberto em salas de aula, para que haja uma conscientização de que o consumismo desenfreado é uma prática destrutiva para a humanidade.