O poder de manipulação das mídias
Enviada em 05/07/2020
A circulação da informação favorece grupos econômicos ao priorizar pontos de vista condizentes a eles, como ocorrido desde o período colonial, cujo sistema de imprensa tardio privilegiava notícias previamente acordadas pela Coroa e censurava aquelas de caráter revoltoso. Nesse sentido, constata-se o poder manipulador da mídia pela atuação antiética de profissionais e a precária capacidade crítica das massas. Logo, urge a necessidade da resolução da problemática.
Dessa maneira, o controle dos meios de comunicação faz parte da história brasileira, como percebido nos órgãos específicos de censura, como o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo varguista. Sendo assim, a trajetória jornalística do país possui tendências à parcialidade e acabam por blindar o indivíduo de acessar outros pontos de vista; nesse ínterim, compara-se esse quadro ao Mito da Caverna, do filósofo Platão, o qual ilustra o aprisionamento daqueles que não conseguem se libertar das amarras de pensamento, ou seja, restringem-se a um campo de visão, carentes da autonomia reflexiva. Logo, o poder manipulador midiático condiciona o indivíduo a apenas uma linha argumentativa, o que evidencia a necessidade de se fundamentar uma ética jornalística no país.
Diante disso, observa-se, segundo o sociólogo francês Durkheim, a “Letargia Social” moderna, ou seja, um estágio de passividade da população diante dos acontecimentos ao perpetuar discursos infundados, por exemplo. Nessa perspectiva, a situação é ilustrada pela criação do Plano Cohen, conspiração de uma “ameaça comunista” como justificativa para implantação da ditadura de Vargas de 1937, a qual anos mais tarde descobriu-se a inverdade dessa manobra política. Nesse contexto, evidencia-se a importância de um sistema educacional eficiente, o qual estimula a criticidade do aluno baseada em evidências, pois a obra durkheimiana delimita o ser como agente e produto da sociedade.
Portanto, o poder manipulador da Mídia pode ser combatido por uma postura mais crítica e reflexiva da comunidade, de maneira a se empoderar e evitar ludibriações. Para tal, o Ministério das Comunicações deverá elaborar uma comissão nacional de ética mais rígida, que preze pela veracidade da informação e garanta a elucidação do indivíduo de forma não tendenciosa, por intermédio da verificação das plataformas de notícias, bem como a melhor capacitação dos profissionais nos cursos de graduação, com o objetivo fundamentar um verdadeiro código de ética no jornalismo. Ademais, o Ministério da Educação deverá elaborar projetos interdisciplinares das matérias de Ciências Humanas, em parceria com as Secretarias Municipais de Educação, para criar oficinas psicossociais sobre a manipulação dos meios de comunicação, por meio de investimentos no ensino básico brasileiro, a fim de alavancar a capacidade crítica do cidadão, permitindo-o libertar-se da “caverna”.