O poder de manipulação das mídias

Enviada em 11/07/2020

A sociedade da manipulação

Em “Shut Up and Dance”, de Black Mirror, a privacidade de Kenny é violada de seu computador e, são feitas ameaças de exposição em troca de favores. Analogamente, a vida particular de usuários de redes sociais se encontra exposta, a ponto de serem manipulados em relação a fazer, ter, ser e comprar. Nesse sentido, cabe reavaliar os fatores que favorecem esse cenário conturbado.

Em primeiro plano, vale ressaltar o problema da falta de privacidade dos internautas. A exemplo disso, em “Smithereens”, episódio da Netflix, a polícia encontra dificuldades para encontrar informações acerca de um sequestrador. Contudo, jovens que passavam pelo local facilmente acessaram os dados do criminoso em redes sociais, e cooperaram com as autoridades. Logo, percebe-se que a sociedade da informação é um sistema que depende da coleta e processamento de informações, que já estão expostas pelo público.

Outro ponto relevante para a discussão é a ilusão de escolha, tão presente no cotidiano quanto aplicativos que te sugerem filmes e séries com base em suas escolhas anteriores (como a Netflix). Defendido por Adorno e Horkheimer, a massificação dos gostos torna indivíduos padronizados, moldados ideologicamente para agir de forma uniforme. Assim, com o controle de dados da população, a dominação social se dá de forma sorrateira, porém facilitada pelo próprio usuário.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para controlar a exposição e manipulação massivos. Desse modo, é necessário que as escolas instruam crianças e jovens desde cedo, para advertir e lidar com a manipulação que incita o consumo, que se dá pela internet e outras mídias. Isso ocorrerá por meio de palestras, que utilizem de exemplos e ensinem como identificar. Ademais, o questionamento e pensamento críticos serão desenvolvidos durante aulas, logo após as conferências, para a fixação do assunto, a fim de conter e reprimir o controle midiático sob a população.