O poder de manipulação das mídias

Enviada em 21/07/2020

O livro 1984, de George Orwell, retrata uma sociedade distópica na qual o Estado controla toda informação que será passada ao povo através da mídia, caracterizando um governo opressor e totalitário. Paralelamente, no Brasil, a mídia ganhou força no século XX, aprimorando-se ao longo dos anos e tornando-se a principal, senão a única fonte de informação do brasileiro. Porém, as plataformas midiáticas tendem a acentuar as situações de forma a manipular o pensamento do ser humano, além de ocultar informações importantes de acordo com seus interesses, limitando a construção do pensamento daqueles que as consomem.

Nesse contexto, plataformas digitais e emissoras possuem características semelhantes no quesito convencimento, já que ambas têm função apelativa. Elas utilizam do sensacionalismo para atingir suas necessidades: publicações enfatizadas exageradamente, com o objetivo de repercutir determinado assunto, chamando a atenção do público; que influenciam na maneira como as pessoas vão digerir determinada notícia, induzindo-as a uma opinião em massa sem o hábito de buscarem conhecimento de diferentes fontes e facilitando a manipulação de seus pensamentos.

Outrossim, o conceito de ‘’coronelismo midiático’’ se acentua na atualidade. Os primeiros anos da República no país, a partir de 1889, foram caracterizados pelo coronelismo, manipulação de votos, que na época eram abertos, pelos coronéis: pessoas poderosas e influenciadoras na época. Hoje, faz-se uma analogia aos coronéis republicanos com as principais emissoras de televisão contemporâneas, que transmitem seus programas e telejornais de maneira que irá beneficiá-las, ocultando informações importantes que viriam a prejudicar as mesmas. Assim, o brasileiro encontra-se alienado naquilo que é fornecido a ele, tendo sua capacidade de adquirir conhecimento verídico e inalterado quase nula, e sua consequente forma de agir previamente controlada, tornando o poder da mídia ilimitado.

Portanto, medidas são essenciais para resolver esse impasse. É necessário que o Ministério das Comunicações crie um órgão responsável pela fiscalização do conteúdo que será apresentado pelas plataformas digitais, emissoras de rádio e televisão, por meio de análises da veracidade das informações, e sujeita-las a multa caso sejam notícias incompatíveis com a verdade, e também façam com que abordem todo o conteúdo sem ocultarem nada indispensável, a fim de impedir que o pensamento da sociedade seja manipulado e limitar o poder da mídia, afastando sua realidade da distopia opressora abordada no livro 1984.