O poder de manipulação das mídias

Enviada em 15/09/2020

Para o questionamento “O que é Esclarecimento?” Immanuel Kant respondeu que, em sua visão, significa a saída do homem de sua minoridade, momento em que ele não seria mais tutelado por outro, se servindo do seu próprio entendimento. Quando Kant expôs seu pensamento não havia nem mesmo aparelhos eletrônicos, entretanto, a ideia do filósofo se faz atual ao analisar a manipulação do homem pela mídia. Em outras palavras, o ser humano está sujeito à tutela de meios midiáticos, o que emerge à falta de responsabilidade governamental acerca da questão.

Em primeira instância, cabe destacar como tal controle acontece e, sob essa ótica, é necessário notar que, consoante ao filósofo Arthur Schopenhauer, o campo de visão de uma pessoa molda sua realidade. Logo, no decorrer do tempo, quando o indivíduo tem o hábito de usufruir os meios de comunicação, como redes socais e jornais, sua realidade vai se moldando de acordo com o que é exibido. Dessa forma, evidencia-se o poder de manipulação dessas mídias à medida que elas selecionam conteúdos, propagandas e notícias que serão expostas e, dessa maneira, conseguem delimitar o campo de visão e as fronteiras da realidade de uma pessoa.

Outrossim, vale ressaltar a responsabilidade do Governo. Nesse contexto, para o contratualista John Locke, a sociedade por meio de um contrato social cria o Estado para que esse assegure a elas seus direitos naturais. Nesse âmbito, ressalta-se, ainda, que a liberdade caracteriza-se como um direito natural que deve ser prezado. Contudo, nota-se que, quando empresas e políticos usam algorítimos e selecionam o conteúdo exposto na mídia de acordo com seus interesses, influenciam seu usuário na sua tomada de decisão, seja essa uma compra ou até mesmo um voto numa eleição. Por conseguinte,  e o direito à liberdade, sobretudo de escolha, é infringido.

Em suma, o controle por parte dos meios de comunicação transgride a liberdade individual e necessita de políticas públicas que impeçam que seus cidadãos sejam tutelados por outros. Para isso, cabe ao Governo Federal implementar medidas de vigilância do conteúdo exposto na internet e canais de TV, por meio de fiscalização e penalização às empresas que utilizarem tais conteúdos de forma persuasiva, como exemplo, para estimular o consumo de um produto. Espera-se, com essas medidas, que a sociedade possa agir conforme seu próprio entendimento e não sob a tutela de outros.