O poder de manipulação das mídias
Enviada em 08/09/2020
Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cumpre ressaltar o transtorno relacionado com a influência dos veículos de comunicação na realidade dos indivíduos, uma vez que o escasso senso crítico corrobora com a homogeneização dos desejos. Para tanto, urgem atos mais enfáticos da sociedade civil em concomitância com o Poder Público, visando amortizar esse imbróglio.
Nessa perspectiva, é relevante ressaltar que a pouca criticidade dos cidadãos ocorre devido à omissão das instituições formadoras de opinião na consolidação desse valor, seja a família por propiciar poucos momentos de debates, seja as instituições educacionais por disponibilizarem poucas aulas de Filosofia e de Sociologia. Esse contexto, foi percebido com o fenômeno das ‘Fake News’, durante a campanha que levou Donald Trump ao cargo de presidente, a medida que os indivíduos repassavam as informações recebidas, principalmente, pelos meios digitais sem ponderar criticamente se condizia ou não com a realidade, afetando no resultado das eleições norte-americanas. Dessa maneira, é importante estimular o senso crítico da população para que ocorra a minimização da manipulação pelas mídias.
Ainda nessa mesma perspectiva, é fulcral destacar o domínio das mídias nos desejos dos indivíduos. Essa conjuntura foi dissertada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer, fomentando na criação da Escola de Frankfurt e, por sua vez, na elaboração da tese da ‘Indústria Cultural’, caracterizando-a como meio de massificação das vontades por meio do uso das mídias em associação com a alienação da população. Ademais, essa situação ainda é recorrente, sendo possível a constatação ao analisar campanhas voltadas a adolescentes, por exemplo, pois não só promove o item, mas também o associa a idealizações de felicidade e de coesão social, o que estimula, muitas vezes, em função do escasso senso crítico, a compra. Logo, é essencial que atos enérgicos sejam executados, objetivando amenizar esse percalço do cotidiano dos jovens.
Portanto, é perceptível a necessidade ações mais enérgicas em prol de mitigar a manipulação dos meios de comunicação. Para isso, faz-se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, promova palestras e mesas-redondas periódicas nas instituições educacionais, sendo ministradas por profissionais qualificados, sejam psicólogos, sejam professores de Filosofia e Sociologia, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares. Tal ação tem o fito de incentivar a criticidade da população acerca do que os circunda. Apenas assim, poder-se-á consolidar uma realidade em que o infortúnio da manipulação relacionada com as mídias perca efetividade e a teoria da ‘Indústria Cultural’ seja negada.