O poder de manipulação das mídias

Enviada em 21/09/2020

Em 2016, a plataforma digital Facebook, em conjunto com a empresa Cambridge Analytics, foi alvo de uma investigação do congresso americano por tentar influenciar a eleição presidencial estadunidense. Assim, percebe-se como a mídia tem o condão de manipular a opinião pública e influenciar as escolhas da população. Logo, devido a esse poder, é fundamental sujeitar à responsabilização tanto a mídia tradicional quanto as novas mídias virtuais.

Inicialmente, destaca-se que historicamente os meios de comunicação em massa foram utilizados para justificar ou apoiar projetos de poder. Nesse sentido, menciona-se o Ministério da Propaganda alemão comandado por Goebbels, que por meio da tutela do cinema, rádio, teatro e imprensa, tinha o objetivo de convencer os alemães das ideias nazistas. Dessa maneira, em que pese exemplos extremos como esse não serem comuns, a mídia tradicional, atualmente liderada pela televisão, ainda pode selecionar as notícias a serem exibidas e recortar o enfoque dado a elas para beneficiar algum ponto de vista.

Adicionalmente, cabe ressaltar o papel das novas ferramentas digitais como WhatsApp, Facebook e Twitter em transmitir informações e notícias. Nesse viés, segundo o livro “Engenheiros do Caos”, essas tecnologias revolucionárias utilizam os dados dos usuários para retroalimentar as suas opiniões pré-concebidas e vinculá-las a um candidato específico, isto é, envia-se mensagens sob medida, particularizadas para cada eleitor, mesmo que isso signifique defender posições contraditórias. Desse modo, essas mídias manipulam as eleições e, portanto, a democracia.

Diante do exposto, nota-se o efeito nefasto que a mídia, quando utilizada irresponsavelmente, pode causar ao forjar comportamentos, convicções e votos. Por conseguinte, faz-se mister que o poder público tome medidas para inibir abusos dos meios de comunicação. Isso pode ser feito por meio da aprovação da Lei da “Fake News” pelo Poder Legislativo, bem como pela ação do Judiciário ao assegurar o direito de resposta quando ocorre calúnias, difamações e injúrias. Dessa forma, construir-se-á uma sociedade mais livre, imparcial e capaz de tomar decisões informadas.