O poder de manipulação das mídias
Enviada em 26/09/2020
O sociólogo Octávio Ianni, em seu texto O Príncipe Eletrônico, elucida que a sociedade não seria mais regida por homens ou grupos políticos, mas por uma força maior e transcendente: a mídia. Hodiernamente, esse escrito assemelhasse à realidade brasileira, visto o controle que ela exerce sobre a opinião pública e as notícias, o qual acarreta diversos problemas. Dentre eles, manutenção da bolha social, devido a manipulação dos dados, e a diminuição do senso crítico, ocasionada pela alteração de fatos e informações. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.
A princípio, é válido salientar que, com a Revolução Técnico - Científico - Informacional, a internet e, principalmente, os meios sociais, adaptaram-se. Contudo, esse avanço apresenta-se negativamente, uma vez que os mesmos usam dados fornecidos pelos usuários e, através de algoritmos, controlam e influenciam as opções, o que obriga os indivíduos a continuarem consumindo as mesmas coisas, contribuindo para manutenção da bolha sociocultural. Na série britânica Black Mirror, mostra o episódio em que um aplicativo escolhe, com base em estatísticas, parceiros de relacionamento, tornando o usuário passível de escolhas e que mostra como a ficção imita a realidade.
Outrossim, em 1945, Getúlio Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com a função de adulterar informações que chegam à população. Do mesmo modo, essa característica se faz presente nos jornais, como, a título de exemplo, nos programas policiais, que modificam fatos e notícias para chocarem a opinião pública, manipular suas emoções e, consequentemente, impedir a formação do senso crítico, encobrindo as suas precariedades e o controle que exercem sobre a massa. Em sua música Brasil, Cazuza canta “ver TV a cores na sala de um índio, programada pra só dizer sim”, desse modo, a passagem revela o controle e a alienação a que os usuários e telespectadores estão suscetíveis.
Por conseguinte, compete ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com as escolas, a criação de uma disciplina na Base Comum Curricular que, por meio de oficinas e debates, aborde a manipulação digital, mostrando com ocorre e suas consequências aos usuários, a fim de, além de instruir, possibilitar a mudança de conduta para com os meios digitais. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir o poder de manipulação da mídia e fazer com que o excerto de Ianni seja um componente da sociologia e não o espelho da sociedade brasileira.