O poder de manipulação das mídias

Enviada em 17/10/2020

Na obra de Luís Vaz de Camões, “Os Lusíadas”, o Velho do Restelo reafirma Sófocles em “nada grandioso entra nas vidas do mortais sem uma maldição”. Na história, o personagem, ao aparecer na praia do Restelo, profetiza que todo avanço traz consequências referindo-se às navegações portuguesas, entretanto, será que essa foi a única maldição desencadeada pelos progressos do homem?

Hodiernamente, o mundo contemporâneo navega na tecnologia e está imerso nas profundezas das redes sociais. É evidente que muitos benefícios são usufruídos através desse canal instantâneo de conexão, porém, os problemas tornam-se paulatinamente proeminentes. Os algoritmos das mídias sociais, como mostrado no documentário americano “O Dilema das Redes”, estão gradualmente mais avançados, esses tendo o poder de extremo engajamento e diversas propagandas. Dessa forma, manipula-se cada vez mais mentes e coloca-se em risco a saúde mental dessas, persuadindo-as de ideias que, em consciência, não fazem sentido.

A era da desinformação, fundamentada no controle da massa populacional. Durante o ano de 2020, o Brasil enfrentou o ápice de um cenário dantesco, desencadeado pelas notícias falsas, essas baseadas em meias verdades e disfarçadas, transformando-se em um vírus da tecnologia. Essa realidade colocou a saúde pública em risco, por exemplo, uma vez que diversas informações errôneas foram compartilhadas sobre o vírus SARS-COV-2, causador da pandemia.

Diante dos argumentos supracitados é indubitável que medidas sejam tomadas para coibir a problemática apresentada. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, propor uma regulamentação a fim de analisar informações divulgadas, para que assim sejam julgadas e cada vez menos conclusões rasas sejam tomadas como verdadeiras e a manipulação das mídias sociais prejudique cada vez menos pessoas.