O poder de manipulação das mídias

Enviada em 30/10/2020

A música “Arrombou a mídia”, da artista Rita Lee, tem o intuito de criticar a manipulação que as mídias podem causar no âmbito social. Infelizmente, esse cenário de coerção não se restringe à canção, dado que esse complexo impasse está muito presente no mundo contemporâneo, o que pode acarretar em sérios problemas para a formação cidadã de muitos. Dessa forma, é preciso entender que esse panorama esbarra na má influência midiática, assim como em uma séria lacuna educacional.

Primeiramente, a manipulação da maioria das mídias demostra uma incompetência profissional. A respeito disso, o Sociólogo Pierre Boudieu afirma que o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa linha de pensamento, nota-se que grande parte das mídias, mesmo sabendo da sua importância para a construção de uma sociedade mais democrática, usa seu poder de informação para impor de forma sutil pensamentos parciais, que manipulam grande parte das massas. Nesse sentido, cria-se um ambiente que não só ameaça a democracia, mas que também desrespeita a ética da profissão jornalística, ou seja, o compromisso de passar uma informação com cunho imparcial e verdadeiro.

Em paralelo, o poder de manipulação das mídias é visto na falha educacional. Sob esse viés, o Filósofo Kant defende que o homem é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, observa-se que o grande poder da dominação midiática ocorre pela falha das escolas ao formarem muitos indivíduos com dificuldades de desenvolverem senso critico à respeito das informações que os rodeiam. Assim, sem que as instituições de ensino despertem as habilidades necessárias para que as pessoas percebam as sutis manipulações, esse impasse se perpetuará.

Portanto, com a finalidade de promover a racionalidade dos indivíduos, para que eles não sejam manipulados pela mídia, urge que o MEC, em parceria com os cursos de jornalismo do Brasil, faça amplos debates sobre como interpretar e perceber possíveis manipulações, em jornais e em mídias digitais, por meio de dinâmicas e jogos interativos, nas escolas, que proporcionem o desenvolvimento do senso critico e interpretativo. Para isso, de modo a reforçar a ação, deve ter a participação de linguistas e jornalistas especializados na linguagem midiática, para que ensinem os alunos identificar textos que tenham cunho manipulativo. Somente assim a música “Arrombou a mídia” não retratará o Brasil.