O poder de manipulação das mídias

Enviada em 23/12/2020

Na obra literária de George Orwell 1984, é revelada uma realidade distópica, na qual impera uma ditadura comandada pelo Grande Irmão. No sistema midiático dessa sociedade, ocorre a manipulação de informações para moldar o pensamento da população a favor do regime ditatorial. Fora da ficção, no mundo pós-moderno e com o advento da tecnologia, a manipulação das mídias sociais ganha proporções descomunais, o que gera impacto nas relações interpessoais e econômicas. Logo, vê-se substancial o entendimento do impasse supracitado, com o intuito de enfrentá-lo.

Em primeira análise, segundo o cientista Albert Einstein, a tecnologia ultrapassou a humanidade, de forma que atingiu todas as esferas da sociedade. Com isso, a influência da mídia na disseminação de informações é notória, uma vez que a seleção de dados e notícias a serem apresentados moldam a perspectiva dos cidadãos perante específica temática, o que acarreta na falta de poder crítico do mesmo, de modo que não desenvolve a arte de pensar independentemente. À vista disso, o indivíduo assume posição passiva e apenas absorve o que lhe é apresentado.

Outrossim, o conjunto da sociedade capitalista com a manipulação exarcebada das mídias muda o panorama social e os valores do homem. Dessarte, o consumismo surge e é impulsionado pelas propagandas e anúncios, logo direciona os cidadãos à continua prática de consumir para satisfazer uma hierarquia social ou se integrar com as tendências do momento. Nesse sentido, Zygmund Balman apresenta o conceito da “Modernidade Líquida”, na qual a moral esta abaixo da máquina do consumo. Isto posto, é evidente que os meios de comunicação afetam em grande escala as relações humanas na conjuntura atual.

Depreende-se, portanto, o grande poder de manipulação das mídias sociais e a necessidade de amenizar esse entrave. Para isso, é imperativo do Estado e do Ministério da Tecnologia criarem novas medidas que limitem e moderem a forma como as propagandas e comerciais incitam o consumo desenfreado, por meio da mudança nas normas publicitárias e maior fiscalização no cumprimento das mesmas e, além disso, promover campanhas que estimulem o indivíduo a duvidar e questionar tudo que lhe é exposto. Ademais, cabe a própria população se conscientizar e sempre buscar fontes alternativas de informação e dados, a fim de diversificar o repertório, criar independência no pensamento e se blindar das manipulações. Quiça, desse modo, a sociedade tornar-se-á livre de tal problemática.