O poder de manipulação das mídias

Enviada em 27/12/2020

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6 °, o direito à cultura como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a manipulação midiática, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, sendo estes: a perda de consciência crítica social e o acesso a conteúdos educativos. Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater uma falta de consciência crítica social.

Nesse sentido, é importante frisar que os grandes órgãos televisivos tentam, gradativamente, “idiotizar” seus telespectadores e acostumar a sociedade a ver a vulgaridade, o grotesco e a estupidez como normais, ou seja, fazendo com que a cultura fique defasada e sem valores. Essa conjuntura, segunda como idéias do filósofo contratualiza John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantia que os cidadãos desfrutados de direitos indispensáveis, como o acesso a cultura.

Ademais, é fundamental apontar uma perda de acesso a conteúdos culturais televisivos de qualidade como impulsionador da falta de consciência crítica social no Brasil. De acordo com o conceito de “Habitus” do sociólogo francês Pierre Bourdieu, as visões sociais são determinadas pelas agências, como a mídia.Diante de tal exposto, fica evidente que o poder da mídia é de grande importância para uma sociedade, para que tenhamos uma sociedade com bons valores, faz-se necessário que os órgãos midiáticos apresentem conteúdos educativos com bagagem de valores culturais e éticos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de resolver esses problemas. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Cultura cobre os órgãos de televisão para apresentar o conteúdo mais educativos e com teor cultural e ético. Por intermédio de - campanhas comerciais e produções de peças teatrais que conscientizem os telespectadores do senso crítico e de julgamento do cotidiano - de modo a formar mais conscientes de suas ações.Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.