O poder de manipulação das mídias
Enviada em 08/09/2021
Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a ciência política se sobressai em relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, no limiar do século XXI, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, uma vez o poder de manipulação das mídias cresce de maneira alarmante. Nesse sentido, deve-se analisar não só o individualismo, atrelado ao capitalismo, mas também a desinformação por parte da população.
Em primeira análise, é cabível ressaltar que o sistema atual visa o lucro excessivo, o que corrobora com a manipulação das massas. Com isso, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vive-se em uma sociedade líquida, dado que as relações são fluidas, voláteis. Sob esse viés, é válido destacar que em uma sociedade capitalista o conteúdo presente nos grandes meios de comunicação condiz aos interesses das elites, o que carateriza o individualismo. Isso acontece devido a grande parte das empresas utilizarem a mídia para propagar e enaltecer os seus trabalhos ou produtos, visando atrair o público a comprar algo, que, na maioria das vezes, não é necessário naquele momento. Tendo em vista isso, é possível perceber que a população se torna cada vez mais alienada devido a manipulação do quarto poder que está presente em quase todas as esferas da vida.
Soma-se a isso, a falta de informação que corrobora com a ampliação desse imbróglio. Segundo o filósofo grego, Sócrates, os erros são consequências da ignorância humana. À vista disso, é válido pontuar que a mídia se assemelha a esse pensamento, uma vez que dita regras de comportamento, de beleza e de política, no qual a sociedade -mal instruída-, toma como verdade absoluta tudo o que está exposto nos meios de comunicação. Prova disso, é o caso ocorrido nas eleições presidenciais no Brasil, em 1989 entre Fernando Collor e Lula, em que o favoritismo da Rede Globo, influenciou, de maneira direta, no resultado das eleições, posto que Collor deteinha 78,55% mais tempo de divulgação no notíciário político, se comparado ao de Lula, segundo o relatório do Departamento Nacional de Telecomunicações. Dessa maneira, é indubitável a manipulação das redes de telecomunicação em detrimento dos próprios interesses, e a alienação da população frente àquilo que a mídia prega.
Logo, entende-se que o problema urge por medidas interventivas, pois fere com o direito de pensar do povo. Dessa forma, é dever das escolas, por meio do seu Plano de Ação, inserir camapanhas acerca da manipulação dos veículos midiáticos, e as consequências por ela trazidas, tendo como público alvo os alunos e os pais, visando informar sobre esse assunto. Por sua vez, cabe ao Governo ficar atento frente à manipulação da mídia, por intermédio de investimentos em políticas públicas. Assim, é possível alcançar uma sociedade que esteja para o exercício do bem coletivo, como pautava Aristóteles.