O poder de manipulação das mídias

Enviada em 08/09/2021

No período que antecede a Era Vargas, que foi protagonizada pelo gaúcho Getúlio Dornelles Vargas, o advento tecnológico do telefone, do rádio e da televisão já havia sido propagado no Brasil. Entretanto, sob o domínio de Vargas, a maioria dos meios de comunicação e de informações foram censurados no país. Com efeito, ainda hoje, o poder de manipulação das mídias se mostra um grave problema social, seja pelas tentativas de persuasão e de controle do Estado com a grande massa, seja pela falta de consciência dos brasileiros com suas próprias ações.

Em verdade, durante o período getulista, a criação do jornal “A voz do Brasil” foi uma das melhores estratégias de Getúlio, do ponto de vista ditatorial, para manipular o comportamento da sociedade visando sua popularidade. Nesse viés, a imprensa brasileira era proibida de disseminar qualquer tipo de notícia que criticasse ou que alertasse a população sobre práticas antidemocráticas e atos de corrupção vinculadas ao “governo”. Assim, a imagem mítica de Getúlio, foi fomentada pela prática de políticas públicas básicas em conjunto com a extrema manipulação através da mídia feita com claro objetivo: calar a voz do povo e impedir os mesmos de pensarem e de agirem por conta própria.

Por pressuposição, a alienação do indivíduo é adquirida pelo consumo de produtos e de informações que são intuitivamente disseminados para modificar seu pensamento, sua ideologia e sua voz. Nesse sentido, o conceito de Indústria Cultural, desenvolvido por Adorno e Horkheimer, se refere a uma nova concepção de se fazer cultura, utilizando-se de técnicas do sistema capitalista para moldar de maneira padronizada, atos de compras, de relações e de sociedade. Dessa forma, através do poder de controle midiático, os indivíduos têm adesão à essa forma de viver, o que o distancia dele consigo mesmo e consequentemente o faz perder sua identidade própria, sua liberdade de expressão e de pensamento, caracterizando o padrão atual mais comum: o alienado.

Para que as mídias percam o seu poder de manipulação, portanto, as pessoas precisam ser seres conscientes e pensantes por conta própria logo durante suas formações. Para isso, as escolas de ensino médio, principalmente, com foco nos jovens entre quatorze e dezoito anos, devem criar projetos por meio de gincanas de debates sobre política, economia e arte, que despertem e incentivem-os a pensarem e a criarem opiniões e voz ativa dentro da sociedade. Essa iniciativa poderia se chamar “Diga não a manipulação” e teria a finalidade de alertar os jovens sobre o poder negativo da mídia sob os mesmos, de quebrar padrões alienados inerciais e de criar uma geração que lute pelos seus direitos, pela sua liberdade de ser e de se expressar.