O poder de manipulação das mídias
Enviada em 08/09/2021
O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, conforme a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), prevê em seu segundo capítulo a garantia da imparcialidade ao divulgar fatos e informações de interesse público. Em contrapartida, é fato que a ineficiência no combate à capacidade de manipulação dos meios comunicativos acarreta uma precarização do senso crítico da população brasileira, uma vez que a garantia do acesso à “informação neutra” não se reverbera com ênfase na prática. Nesse viés, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a parcialidade dos meios midiáticos e a promoção do consumismo voltado para adolescentes.
Com efeito, observa-se a forma tendenciosa que alguns veículos de comunicação agem para atender interesses particulares. Nessa perspectiva, cabe citar o filme polonês chamado “Rede de Ódio”, em que o protagonista torna-se um jornalista ganancioso que fomenta ódio e violência generalizada, sobretudo ao promover uma polarização política. Assim como na obra audiovisual, nota-se que tal acontecimento se repete no Brasil, o que gera cidadãos desinformados, acríticos e manipulados conforme os interesses dos grupos políticos e econômicos dominantes. Fica claro, pois, que a influência do quarto poder se intensifica gradativamente, ferindo a dignidade de toda a população, dificultando a adoção de uma visão holística acerca de variados eixos temáticos.
Outro fator a ser analisado é a facilidade no processo persuasivo dos mais jovens em virtude do consumismo desenfreado. Conforme o texto do sociólogo Orson Camargon, publicado pelo portal “Brasil Escola”, as indústrias visam adolescentes como alvos imprescindíveis para as vendas, sobretudo no mercado da beleza. Partindo desse fato, as redes sociais, em especial, fomentam ideais de caráter supérfluo baseados nos bens materiais e no culto ao corpo, provocando transtornos à economia e ao pensamento crítico dos internautas, alienando paulatinamente os usuários de internet. Nessa lógica, é imprescindível uma ação do Estado para mudar essa realidade.
Portanto, faz-se necessária uma mudança de postura das redes midiáticas. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de Planos Nacionais da Educação e de eventos tanto escolares quanto ao grande público, o investimento em aulas contendo palestras e debates, objetivando promover um olhar diferente por parte dos alunos de forma que, ainda que existam produções parciais, o indivíduo saiba interpretar e se posicionar com relação ao que foi apresentado. Dessa forma, a teórica imparcialidade ficará um pouco mais próxima da prática, e a informação será, com verdade, um serviço de utilidade pública.