O poder de manipulação das mídias

Enviada em 08/09/2021

Em “1984”, célebre distopia literária britânica, o setor administrativo estatal é marcado pelo controle informacional para que apenas notícias positivas sejam veiculadas para a população. Analogamente, observam-se similaridades na sutil manipulação midiática na sociedade hodierna, com a disposição da sistematização de interesses produzidos. Nesse sentido, o fator da seleção realizada com propósitos parciais da difusão de elementos ocasiona, como consequência, mudanças na mentalidade e no comportamento do indivíduo.

Com efeito, é relevante pontuar os mecanismos regentes na lógica comercial e ideológica das mídias. Por essa óptica, a “Indústria Cultural”, conceito formulado pelos filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, aponta a relação mercadológica das produções culturais no estabelecimento de padrões de consumo. À vista disso, a conformidade dessa teoria é constatada na observação da preferência da propagação em massa de gêneros musicais, estilos de roupa e, até mesmo, de discursos jornalísticos. Logo, nota-se, gravemente, o descaso ao receptor desses serviços, uma vez que o seu ingresso na engrenagem desse mercado de interesses é maximizado pelo estado alheio às motivações implícitas das temáticas consumidas.

Outrossim, como reflexo dessa realidade, destacam-se as possíveis repercussões dessa exposição desacertada ao desenvolvimento cidadão. Sob esse âmbito, o sociólogo francês Pierre Bourdieu disserta, na obra “Sobre a televisão”, acerca da intencional redução de perspectivas críticas concedidas no espaço das grandes redes de comunicação. Posto isso, a contínua absorção apática de ordens de consumo e de orientações de posicionamentos reverbera diretamente na vida do telespectador, de modo a suprimir, simbolicamente, manifestações contestatórias às normas estipuladas. Destarte, é evidente a prevalente transformação errônea de extraordinários instrumentos democráticos de informação em meios de opressão alegóricos.

Diante disso, a diminuição do exercício do poder de manipulação das mídias é primordial. Assim, urge que as instituições educacionais, por meio da implementação de iniciativas interdisciplinares, promovam debates engajados em relação ao impacto que o consumo informacional pode proporcionar. Nesse projeto, serão realizadas rodas de conversa mediadas por profissionais habilitados, com abordagens psicológicas e sociológicas, a fim de viabilizar, a datar da infância, o entendimento coletivo da importância do olhar crítico anterior à absorção de conteúdos.