O poder de manipulação das mídias

Enviada em 08/09/2021

“Mafalda”, personagem criada pelo cartunista Quino, demonstra, ainda na infância, sua grande preocupação quanto aos cuidados com questões sociais. Entretanto, a importante lição altruísta de Mafalda está longe de se tornar real, uma vez que a manipulação de informações pelas mídias contribui para ausência de senso crítico por parte da população. Para desconstruir esse cenário nefasto, faz-se crucial mitigar não só a negligência das mídias, como também a falta de cuidado do corpo social.

Sob esse viés, é fulcral analisar a postura dos meios de comunicação sobre a manipulação das notícias. A esse respeito, Escola de Frankfurt, que surgiu no início do século XX, afirmava que a tecnologia estava sendo usada como forma de dominação da consciência humana por meio do marketing. Tal fato é evidenciado no período do Estado Novo governado por Getúlio Vargas, o qual foi criada a DIP (Departamento de Imprensa e propaganda) em que as rádios e televisões eram utilizadas para disseminar conteúdos para benefício próprio. Dessa forma, as mídias atuam como meio propagador de informações controladas para aquilo que for mais lucrativo.

Ademais, a falta de zelo em procurar a veridicidade nas notícias contribui para que a alienação seja uma danosa realidade. Para o poeta chileno Pablo Neruda, as pessoas são livres para fazer escolhas, mas são prisioneiras das consequências. Logo, ao mascarar os fatos e ao propagar mentiras que se tornam verdades, sem que a sociedade perceba, a mídia vai manipulando a população a acreditar no que for mais conveniente, pois boa parte dos indivíduos não vai atrás de saber a fonte da notícia, apenas aceita a informação, perdendo o senso crítico. Desse modo, é necessário que haja mais cuidado da população com as informações do jornalismo divulgado.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Nesse sentido, o Poder Público -importante órgão garantidor dos direitos do cidadão- em parceria com as escolas, deve criar uma disciplina ministrada por professores capacitados em salas de aula, de acordo com os moldes da base nacional curricular comum, com o fito de estimular o senso crítico e a compressão da importância de analisar a autenticidade das informações. Além disso, deve também fiscalizar e punir informações falsas divulgadas por esses meios de comunicação. Assim, haverá menos alienação e exacerbada qualidade nas notícias.