O poder de manipulação das mídias

Enviada em 20/10/2021

Com a intensa globalização -potencializada após a Segunda Guerra e a Guerra Fria- e o crescente uso da internet, os meios de comunicação aprimoraram-se, aumentando o número de informações acessíveis ao público leitor e ouvinte. Assim, sendo responsável por descrever os acontecimentos atuais do país, a mídia também obtém o poder de manipulação, o que traz dois grandes impactos para o Brasil: a alienação da sociedade e a desinformação da população.

Em primeira análise, pode-se afirmar que, por ser o principal meio de comunicação atual, a mídia possui o poder de manipular o corpo social, alienando-o. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de poder e coersão, os quais aumentam a subordinação. Nesse sentido, pode-se fazer uma analogia ao atual cenário brasileiro, à medida que os veículos de informação detém o poder de manipulação dos indivíduos, mediante a disponibilidade de informações, muitas vezes distorcidas e fora do contexto. Desse modo, a mídia -direta e indiretamente-diminui a capacidade de raciocínio dos indivíduos e terceiriza a interpretação da realidade, o que desarticula qualquer revolta contra o sistema vigente. Esse quadro é abusivo e de extrema preocupação, haja vista que a sociedade é, diariamente, induzida a alienação do pensamento e, como consequência, cria uma consciência coletiva e massificada.

Outrossim, é importante ressaltar que a manipulação da mídia contribui para a desinformação da população. Consoante o geógrafo brasileiro Milson Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. Contudo, a manipulação feita pelos meios de comunicação, realizada muitas vezes por falta de integridade e honestidade daqueles, fere não só a efetividade da democracia proposta pelo geógrafo, mas o Artigo 5º da Constituição Federal, o qual admite ser um direito irrevogável o acesso à informação. Dessa maneira, a sociedade não só adquire um deficit de notícias e acontecimentos, mas da consciência e da capacidade de autodeterminar seus pensamentos, ao passo que a mídia influencia o que se é postado e compartilhado de acordo com seus interesses.

Portanto, é evidente que medidas são necessárias para a mudança desse cenário brasileiro de desordem. O Ministério das Comunicações -órgão pertencente ao Poder Executivo, cuja funcionalidade é a deregular a difusão de acontecimentos- deve diminuir o poder de manipulação das mídias, por meio de políticas públicas eficazes de alerta nos principais meios de comunicação, as quais visarão à conscientização do corpo social brasileiro sobre os malefícios que a influência da mídia pode acarretar e sobre a necessidade da filtração de informações recebidas pelos veículos midiáticos, a fim de que a alienação e a desinformação da sociedade nacional diminuam gradativamente.